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Bar do Zé reivindica na Justiça posse de terreno vizinho para reabrir na Glória

Estabelecimento tradicional está fechado desde março após desabamento parcial de parede; área também é disputada por outras duas pessoas

Agência O Globo - 24/06/2026
Bar do Zé reivindica na Justiça posse de terreno vizinho para reabrir na Glória
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Tradicional ponto de boemia na Glória, no Rio de Janeiro, o Bar do Zé, localizado na Rua Barão de Guaratiba, está fechado desde 27 de março, quando parte de uma parede lateral desabou. Um novo desmoronamento ocorreu na última quinta-feira, agravando a situação do estabelecimento, que agora também enfrenta uma disputa judicial pela posse de um terreno vizinho para tentar retomar as atividades.

O bar, conhecido por já ter servido de cenário para filmes e novelas e por receber artistas e frequentadores tradicionais do bairro, busca o reconhecimento do uso da área ao lado do imóvel. Segundo a família do proprietário, o espaço sempre funcionou como apoio às operações do estabelecimento.

A disputa começou após a invasão do terreno por uma mulher identificada como Cláudia, que afirma que o local seria o quintal de sua residência. Intervenções realizadas por ela, como a retirada de árvores e pedregulhos, teriam provocado os desmoronamentos. O uso da área também é reivindicado na Justiça por outra pessoa, identificada como J. Clarismar, que afirma cuidar do espaço há cinco anos.

Do outro lado, a família de José Anselmo Filho, o Seu Zé, sustenta que utiliza o terreno há mais de quatro décadas como apoio ao bar. De acordo com Mércia Ribeiro, filha do proprietário, o espaço era usado para armazenar engradados de bebidas, mesas, cadeiras e outros materiais necessários ao funcionamento do comércio.

Com base nesse uso histórico e continuado, frequentadores, clientes e moradores organizaram um abaixo-assinado pedindo que a Justiça reconheça Seu Zé e sua esposa, Maria Ivonete Ribeiro Anselmo, como detentores do direito de utilização da área. A petição, criada na plataforma Change.org, já reúne mais de 1.400 adesões. Outras 120 assinaturas presenciais também foram recolhidas pela família.

— Meus pais estão lá desde 1982. Compraram o ponto onde funcionou o histórico armazém “A Pérola de Guiné”, do antigo dono, Sr. Rocha, que já usava o terreno do número 47 da rua como apoio ao negócio. Agora, do nada, surgem essas pessoas se dizendo donas. O que estão tentando fazer é uma grande covardia — afirmou Mércia.

A família busca uma liminar para obter acesso ao terreno e iniciar a retirada dos entulhos. Enquanto isso, o bar permanece fechado. Para os proprietários, a definição judicial sobre a posse da área é essencial para viabilizar a limpeza do espaço e a elaboração de um projeto de recuperação do imóvel, que foi interditado pela Defesa Civil devido aos riscos apresentados pelo muro vizinho.

— Como é um prédio histórico, tivemos de contratar uma empresa especializada — disse Mércia, que encomendou um projeto ao arquiteto Rodrigo Azevedo, responsável pela reforma da Estação Leopoldina.

O imóvel onde funciona o bar não é tombado, mas está localizado em Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC). Por isso, qualquer intervenção precisa ser previamente autorizada pelos órgãos competentes, incluindo o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).

A retirada de um grafite em homenagem a Seu Zé também causou indignação entre os familiares. Segundo eles, a arte era vista como símbolo da ligação do comerciante com a rua e com o bairro. O GLOBO informou que não conseguiu contato com os outros dois moradores que também reivindicam a posse do terreno.