RJ em Foco
Falha na rede subterrânea deixa parte do Leme com energia em uma fase; Light aciona geradores
Moradores relatam eletrodomésticos queimados e elevadores desligados; concessionária afirma atuar em ocorrência complexa
Uma nova falha no abastecimento de energia elétrica causou transtornos no Leme, na Zona Sul do Rio de Janeiro, meses após o apagão que deixou moradores do bairro e de trechos de Copacabana sem luz por dias e levou a Justiça a impor multas à Light.
Desde a madrugada desta terça-feira, moradores relatam que trechos das ruas General Ribeiro da Costa e Anchieta estão recebendo energia em apenas uma fase. A instabilidade tem provocado danos aos equipamentos domésticos e afetados na rotina de prédios residenciais.
Segundo relatos enviados ao jornal O Globo, moradores tiveram aparelhos queimados em razão da oscilação na rede elétrica. Num edifício da Rua General Ribeiro da Costa, o elevador precisou ser desligado por precaução. O condomínio também iniciou tratativas para contratação de geradores, diante da incerteza sobre a normalização do serviço.
Em nota, a Light informou que o problema está relacionado a uma ocorrência na rede subterrânea de distribuição, considerada de maior complexidade. A empresa afirmou ainda que os geradores foram acionados para reduzir os impactos aos clientes.
“A Light informa que uma equipe técnica atua no local. Trata-se de uma ocorrência na rede subterrânea, de maior complexidade, que exige atuação especializada para identificação e correção do problema. Preventivamente, foram acionados geradores para minimizar os impactos aos clientes.
Multada
O episódio reacendeu a insatisfação dos moradores da região com a qualidade do serviço prestado pela entrega. Em janeiro deste ano, o Leme e trechos de Copacabana enfrentaram um apagão prolongado, que deixou moradores sem energia por mais de 45 horas.
Na ocasião, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro ingressou com uma Ação Civil Pública contra a Light, argumentando que a demora no restabelecimento configurava falha grave na prestação de um serviço essencial.
Ao atender ao pedido, a Justiça determinou que a entrega restabelecesse imediatamente a energia em todas as áreas afetadas, sob pena de multa diária de R$ 200 mil. A decisão também obrigou a empresa a informar a previsão de normalização do fornecimento, sob risco de multa adicional de R$ 20 mil por dia.
Na decisão, o juiz Vinicius dos Angeles Nascimento destacou relatos de moradores atingidos pela interrupção, incluindo famílias sem água, pessoas que perderam alimentos armazenados em geladeiras e moradores das comunidades Babilônia e Chapéu Mangueira, que forneceram sem energia durante o apagão.
A crise de janeiro também fez com que o Procon Carioca notificasse a concessionária e cobrasse explicações sobre a demora na normalização do serviço.
As reclamações sobre o tempo de resposta da Light não se restringiram ao episódio ocorrido no Leme. Em junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve uma multa de R$ 28,3 milhões aplicada à distribuidora por demora no restabelecimento de energia após contratos contratados entre outubro de 2022 e setembro de 2023.
Segundo a agência reguladora, a fiscalização negocia 39.930 contratos com tempo de restabelecimento superior a 24 horas, afetando 77.651 consumidores. O processo apontou ainda piora de 83% nos indicadores de prestação do serviço em comparação com os registros de 2020.
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