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Novo trecho da Serra das Araras é liberado ao tráfego nesta quinta

Segmento de 4 km na Via Dutra terá quatro faixas no sentido São Paulo; próxima entrega prevê novos viadutos em agosto

Agência O Globo - 24/06/2026
Novo trecho da Serra das Araras é liberado ao tráfego nesta quinta
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Serra das Araras começa a deixar para trás as curvas que marcaram sua história. Um trecho de quatro quilômetros da nova pista da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), entre Piraí e Paracambi, no Rio de Janeiro, foi inaugurado em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador em exercício do Rio, Ricardo Couto.

No sentido São Paulo, o novo segmento conta com quatro faixas de rolamento, acostamento, áreas de segurança, iluminação em LED e oito viadutos.

Previsão de conclusão em 2027

As obras planejadas para 2024 e têm previsão de conclusão em março de 2027. A divulgação do trecho pronto para os veículos está marcada para esta quinta-feira, às 15h. A expectativa é que cerca de 13 mil veículos utilizem diariamente o novo segmento.

A próxima etapa da entrega está prevista para agosto, com quatro novos viadutos na pista de descida.

Na abertura da coletiva, Lula afirmou que os pedágios nas rodovias federais são mais baratos do que nos estaduais.

— Nós resolvemos baratear, nós fazemos com que o povo pague menos. O objetivo da concessão é garantir que a empresa ganhe seu dinheiro, faça a manutenção da estrada e cobre o preço mais baixo ao usuário.

Aquecendo da economia

Em seguida, Lula destacou a economia de tempo que os moradores do interior poderão ter ao utilizar o novo trecho da rodovia, além da geração de empregos e da atração de novas empresas para a região.

— Eu represento a República não para fazer coisa para rico. O rico não precisa do governo. Quem precisa do governo são as pessoas humildes, a classe média, os trabalhadores de todas as categorias profissionais.

Cercado por políticos do Rio e ministros, o presidente chegou ao km 225 da Rodovia Presidente Dutra, local do evento, pouco depois das 10h. Em seu discurso, o governador em exercício do Rio disse manter um “espírito de gratidão” em relação a Lula.

— Para o Estado do Rio, a Nova Serra representa um aquecimento da economia, um investimento em rodovia que, pelo que vendemos, vai perdurar por um bom tempo, trazendo circulação de riqueza, mobilidade urbana e segurança. São benefícios postos para o estado e para a população — disse Couto. — Volto a falar: não sou político. Mas, como gestor nesse período de transição, tenho a obrigação moral de transmitir a tudo o que vem sendo feito. Cumpro essas obrigações neste momento.

Com o avanço das obras, sete das curvas mais críticas da Serra foram eliminadas do principal corredor logístico do país. A via é responsável pelo transporte de mercadorias que sustentam metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e ainda mantinha o traçado original de 1928.

As obras de duplicação e modernização prevêem, até a conclusão, a instalação de câmeras com detecção automática de incidentes.

Outra novidade será a implantação de um sistema de iluminação inteligente. A tecnologia ajustará a intensidade da luz de acordo com as condições climáticas, como neblina e outras características que possam comprometer a visibilidade dos motoristas.

Até agora, 275 desmontes de rocha já foram realizados, com a retirada de mais de 480 mil metros cúbicos de material. A previsão é que ainda ocorram de 80 a 100 novas detonações ao longo do ano.

— Já alcançamos mais de 80% das escavações de rocha. A previsão é que ainda em setembro haja uma grande queda no volume de fechamentos da rodovia ao trânsito e, até novembro ou dezembro, que esses bloqueios se encerrem — afirmou Thiago Pinho Batista, engenheiro e gerente de obras da CCR RioSP, empresa Motiva e transporte responsável pelas rodovias Presidente Dutra (BR-116) e Rio-Santos (BR-101). — Um dos desafios dessa obra é o desnível. A Serra das Araras, do topo ao pé, tem uma diferença de nível de quase 400 metros. Para efeito de comparação, é um Pão de Açúcar.

Anel

Durante a inauguração, a modernização da Rodovia Presidente Dutra (BR-116) e as obras em outras rodovias do estado foram definidas pelo ministro dos Transportes, George Santoro, como “sonhos antigos” de moradores do território fluminense.

Ele também investigou o projeto de malhas ferroviárias do Sudeste, entre Rio de Janeiro e Espírito Santo, cujo edital deve ser publicado neste mês.

— Esta obra resolve o problema de uma rodovia que fica mais de 40 dias no ano fechado, se somarmos todas as interrupções que ocorrem por acidentes — disse o ministro, que é do Rio. — Sonhos antigos de todo carioca, de todo fluminense, que eram os contornos de Campos e de Itaboraí, a subida e a descida da Serra de Petrópolis, que estamos resolvendo agora, fizemos a concessão e vamos lançar a obra. E tem o Anel Ferroviário do Sudeste, que vai conectar a Baixada Fluminense ao Espírito Santo, e mais de 15 portos da Região Sudeste.

Menos tempo de viagem

O BNDES apoia com R$ 10,7 bilhões em obras da Dutra, hoje concedido à iniciativa privada. Presidente do banco, Aloizio Mercadante destacou o impacto da modernização para a economia.

— Quanto mais lento o tráfego, menos eficiência, menos produtividade, mais custo, menos emprego, menos salário, menos progresso. Reestruturar a Dutra, com mais pistas, mais áreas de acesso, é uma mudança de qualidade em todo o desenvolvimento do Brasil. Esta é a maior obra rodoviária do país, a maior obra de infraestrutura do país.

A Nova Serra das Araras tem oito quilômetros de extensão por sentido, 24 viadutos, três passarelas para pedestres e duas rampas de fuga para caminhoneiros. Quando as obras forem concluídas, o tempo de viagem deverá ser reduzido em até 25% na subida e 50% na descida.

O novo limite de velocidade nas duas pistas será de 80 km/h.