RJ em Foco
Mexicano, principal alvo de operação no Dona Marta, teria escapado por área de mata, diz delegado
Segundo as investigações, ele é apontado como responsável por comandar ações do Comando Vermelho na comunidade da Zona Sul do Rio
Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como Mexicano, um dos principais alvos da operação realizada no Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, teria conseguido escapar do cerco policial ao fugir em direção a uma área de mata. A informação foi dada pelo delegado Paulo Sabak, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
De acordo com as investigações, Mexicano é apontado como responsável por comandar as ações do Comando Vermelho na comunidade, sob as ordens de Ronaldinho Tabajara, que está preso em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Uma ex-mulher de Ronaldinho chegou a ser conduzida para a Cidade da Polícia, mas foi liberada após prestar depoimento.
Ao todo, os agentes tinham como objetivo cumprir 44 mandados de prisão e 98 mandados de busca e apreensão.
— Nós tivemos a informação e também monitoramos a evasão de criminosos tão logo as equipes policiais chegaram ao terreno. A gente suspeita que a liderança máxima daquela localidade estava ali e conseguiu se evadir para a região de mata. Justamente por isso houve uma reação tão violenta por parte deles, que não esperavam que a Polícia Civil se faria presente naquela região, porque há muitos anos não havia uma operação ali. Eles sustentaram o máximo possível esse confronto para que as lideranças pudessem se evadir — disse o delegado, confirmando que um dos chefes citados era Mexicano.
Dos 44 mandados de prisão, 13 foram cumpridos. Oito dos alvos já estavam presos, entre eles Ronaldinho Tabajara. Outros seis suspeitos, que ainda não tiveram as identidades reveladas, foram conduzidos para a Cidade da Polícia. Ao menos uma prisão teria ocorrido em flagrante.
Durante a ação, as equipes apreenderam drogas, armamentos, peças de armas, munições, anotações do tráfico, celulares e bancas de venda de drogas montadas com preços e anúncios.
— Esse é um trabalho que a gente faz no sentido de desestruturar essa facção criminosa e o núcleo dela naquela região. Nossas investigações vão continuar. Existem outros elementos de prova agora que serão anexados aos autos principais, e a gente espera que todas as pessoas que exercem a criminalidade organizada sejam responsabilizadas criminalmente — afirmou Sabak.
Ex seria intermediária de ordens
A ex-companheira de Ronaldinho, que também não teve a identificação revelada, foi alvo de busca e apreensão. Na residência dela, foram apreendidos documentos, celulares e um veículo sem procedência comprovada.
Segundo o delegado, as investigações apontam que ela seria uma das intermediárias das ordens de Ronaldinho. Depois de ser ouvida na delegacia, ela foi liberada.
Sobre Mexicano, Sabak afirmou que ele seria o segundo homem na hierarquia do tráfico no Dona Marta. O delegado disse ainda que diversos procedimentos já indicaram sua vinculação com o Comando Vermelho.
— Esse é um procedimento que conseguiu seu indiciamento e o pedido de prisão, justamente porque houve uma verticalização nas provas. Nesse procedimento, conseguimos mostrar que ele realiza a gerência do tráfico local e foi o responsável por aumentar o quantitativo de fuzis na região, que já há alguns anos possuía quatro ou cinco fuzis com os criminosos e hoje a gente tem um mapeamento de ao menos 30, tanto que nossas equipes foram recebidas com intenso poder bélico por parte daqueles indivíduos — declarou.
O delegado também relatou o trabalho realizado ao longo de quase dois anos de investigação, que resultou na operação desta terça-feira.
— Ao longo desse tempo, nós monitoramos todo o tráfico de drogas naquela comunidade, identificamos diversos indivíduos e conseguimos construir o organograma do tráfico naquela localidade, que sofre com o domínio territorial pela facção criminosa Comando Vermelho — disse.
Sabak citou ainda que os investigadores identificaram pontos de venda de entorpecentes e de contenção, inclusive com o uso de seteiras para proteger atividades criminosas.
— Também conseguimos fazer o monitoramento com imagens e vídeos de diversos indivíduos portando armas de grosso calibre e alta energia, patrulhando a comunidade com fuzis ao lado de crianças, de idosos e de escolas em pleno funcionamento. Diante de todo esse material, representamos no Judiciário pelas prisões cautelares, pelos mandados de busca e apreensão, e o Poder Judiciário deferiu as medidas, aceitando nosso relatório e as razões que apresentamos — afirmou.
Conselheiro permanente do CV
O delegado disse que as investigações apontaram que, mesmo preso, Ronaldinho consegue emitir ordens e direcionamentos para que a atividade criminosa seja mantida na comunidade. Essas ordens seriam executadas por Mexicano, que teria relevância dentro da facção criminosa.
Ronaldinho, segundo Sabak, seria conselheiro permanente do Comando Vermelho e braço direito de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos chefes da facção, que também está preso.
— Ele emite ordens e participa de deliberações gerais nessa organização criminosa, não só nesta localidade, o Dona Marta, mas em outras, a exemplo de determinação de roubos e crimes patrimoniais em toda a capital fluminense — concluiu o delegado.
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