RJ em Foco
Traficantes do Dona Marta anunciavam drogas como “especiarias” em rede social
Página foi identificada durante investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes; operação mira 44 suspeitos ligados ao Comando Vermelho
A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) descobriu que traficantes da comunidade Dona Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, usavam uma rede social para comercializar drogas. Os entorpecentes eram anunciados em uma página no X como se fossem “especiarias”. Nas publicações, os criminosos divulgavam endereços para retirada dos produtos e até promoções de fim de semana.
Nesta terça-feira, a Polícia Civil realizou uma operação na comunidade. A ação provocou intenso tiroteio, registrado desde as 5h30 da manhã.
Na página no X, os criminosos anunciavam as drogas por meio de fotos e vídeos. Nas publicações, chamavam a maconha de “especiarias”. Em uma das postagens mais recentes, feita no domingo, escreveram: “Fumando as melhores especiarias nesse domingo de frio. E vocês, estão fumando o quê por aí? Muita especiaria rolando na firma, só brotar e conferir”. A mensagem vinha acompanhada do endereço de um ponto em Botafogo onde os entorpecentes poderiam ser adquiridos.
O perfil também divulgava promoções de fim de semana e listava os produtos disponíveis para venda. Em uma das publicações, os traficantes ofereciam skunk por R$ 10 a grama, além de flor importada de maconha e ice. Em outro anúncio, orientavam os clientes: “Promo de sábado a partir das 10h da manhã”.
Nas postagens, os criminosos também exibiam as embalagens usadas para vender as drogas. A maioria fazia referência a filmes e desenhos de anime. Além das imagens, apareciam a sigla do Comando Vermelho e a frase “Melhor da Zona Sul”, em referência à droga comercializada.
Operação desde a manhã
A operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes começou nas primeiras horas da manhã e foi acompanhada por intenso tiroteio no Dona Marta. A ação tem como alvo integrantes do Comando Vermelho investigados por atuar na comunidade.
Um passageiro de um ônibus que trafegava pela Rua São Clemente, em Botafogo, ficou ferido durante a ação. Além dele, um grupo de pessoas que havia subido ao Mirante Dona Marta para acompanhar o nascer do sol foi surpreendido pela operação e teve dificuldade para deixar o local.
A ação mobilizou dezenas de viaturas estacionadas na Rua São Clemente e contou com o apoio de helicópteros da Polícia Civil.
Disparos no início da manhã
Segundo testemunhas, os disparos começaram ainda nas primeiras horas da manhã. Fontes ouvidas pelo GLOBO afirmaram que pelo menos 22 viaturas da Polícia Civil estavam posicionadas na Praça Corumbá, em Botafogo, área que estaria sendo usada como base da operação para concentração do efetivo e encaminhamento dos presos.
Moradores relataram uma sequência de tiros e explosões, além do sobrevoo de helicópteros policiais. “Foi muito tiro com bomba... loucura. Nunca escutei isso por aqui”, afirmou um morador. Outro disse que “nunca viu uma movimentação assim”.
A operação também provocou reflexos no trânsito, com formação de fila de veículos na Rua São Clemente durante a manhã.
Investigação de 22 meses
De acordo com a Polícia Civil, a ofensiva é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes e cumpre ordens judiciais expedidas pela 26ª Vara Criminal da Capital. A investigação, iniciada há cerca de 22 meses, identificou uma estrutura voltada ao tráfico de drogas na comunidade, com dezenas de integrantes distribuídos em diferentes funções.
Ainda segundo a corporação, foram identificados 44 suspeitos ligados ao grupo criminoso. As apurações apontam que a liderança da organização seria exercida por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, atualmente preso em um presídio federal de segurança máxima em Mossoró (RN). Já Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano, seria responsável por comandar as atividades cotidianas da facção na comunidade.
Morro Dona Marta
A Polícia Civil informou que o objetivo da operação é cumprir mandados judiciais, desarticular a estrutura da organização criminosa e reunir novos elementos para o avanço das investigações. Mais cedo, a Polícia Militar informou que não realizava operação própria na região.
Operação Contenção
De acordo com balanço divulgado pela corporação, a Operação Contenção já resultou na captura de mais de 360 suspeitos e na morte de outros 137 em confrontos, além da apreensão de cerca de 480 armas — entre elas, 190 fuzis — e mais de 51 mil munições.
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