RJ em Foco
Fotógrafo relata pânico durante tiroteio no Morro Dona Marta: ‘Parecia cena de guerra’
Ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes mira 44 investigados ligados ao Comando Vermelho e cumpre mandados de prisão e busca na comunidade da Zona Sul
O fotógrafo Ari Kaye, conhecido por registrar paisagens do Rio de Janeiro, presenciou o intenso tiroteio ocorrido no início da manhã desta terça-feira, no Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul. Ele estava no mirante para fotografar o nascer do sol quando foi surpreendido pelos disparos.
Segundo Ari, a troca de tiros começou por volta das 5h40 e durou cerca de 20 minutos. Durante o confronto, turistas e moradores se jogaram no chão em busca de proteção. A ação foi realizada pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
Kaye contou que saiu cedo de casa para fotografar o nascer do sol no Mirante Dona Marta, em um trabalho encomendado por um cliente. Quando o tiroteio começou, viu turistas se jogando no chão e relatou um cenário de desespero generalizado.
— Foi uma sensação de pânico. O barulho ecoava muito. Foi assustador, parecia cena de guerra. Escutamos o barulho de granadas, explosões fortíssimas. Nunca tinha vivido isso aqui no Rio. Foram 20 minutos de terror, com as pessoas sem nem saber o que fazer. Você não sabe de onde está vindo o tiro. Eu até me deitei no chão e acabei machucando as costas — afirmou.
Segundo o fotógrafo, apesar do desespero dos turistas, guias que atuavam no local tratavam a situação com naturalidade.
— Os guias locais agiam com naturalidade, mas a gente não pode normalizar uma coisa dessas. Um tiroteio absurdo em uma área pequena da Zona Sul. E eu também não fico feliz em postar isso nas minhas redes sociais, até porque costumo viralizar com as coisas bonitas da cidade. Mas acho que a gente tem que falar quando a situação fica mais grave, e o que eu vi foi algo horroroso — disse.
Conhecido pelo trabalho voltado às belezas naturais do Rio, Kaye afirmou que a manhã desta terça-feira ficará marcada em sua memória.
— Eu ganho dinheiro mostrando a beleza do Rio, então é muito triste presenciar um dia assim. Depois que o tiroteio diminuiu, consegui fazer a foto do nascer do sol, que estava lindo. Mas essa imagem vai ficar na minha memória como um nascer do sol amargo. Como fotógrafo, que vive da imagem da cidade, é triste mostrar isso, mas é a realidade que estamos vivendo. Ver pessoas assustadas, essa sensação de impotência e a população à mercê dos bandidos provoca uma enorme tristeza — completou.
Operação desde a manhã
A operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes começou nas primeiras horas da manhã e foi acompanhada por intenso tiroteio no Dona Marta. A ação tem como alvo integrantes do Comando Vermelho investigados por atuar na comunidade.
Um passageiro de um ônibus que trafegava pela Rua São Clemente, em Botafogo, ficou ferido durante a ocorrência. Além dele, um grupo de pessoas que havia subido ao Mirante Dona Marta para acompanhar o nascer do sol foi surpreendido pelo confronto.
A operação mobilizou dezenas de viaturas estacionadas na Rua São Clemente e contou com o apoio de helicópteros da Polícia Civil.
Disparos no início da manhã
Segundo testemunhas, os disparos começaram ainda nas primeiras horas do dia. Fontes ouvidas pela imprensa afirmaram que pelo menos 22 viaturas da Polícia Civil estavam posicionadas na Praça Corumbá, em Botafogo, que teria sido utilizada como base da operação para concentração do efetivo e encaminhamento de presos.
Moradores também relataram uma sequência de tiros e explosões, além do sobrevoo de helicópteros policiais. “Foi muito tiro com bomba... loucura. Nunca escutei isso por aqui”, afirmou um morador. Outro disse que “nunca viu uma movimentação assim”.
A ação também provocou reflexos no trânsito, com formação de filas de veículos na Rua São Clemente durante a manhã.
Investigação de 22 meses
De acordo com a Polícia Civil, a ofensiva é conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes e cumpre ordens judiciais expedidas pela 26ª Vara Criminal da Capital. A investigação, iniciada há cerca de 22 meses, identificou uma estrutura voltada ao tráfico de drogas na comunidade, com atuação de dezenas de integrantes distribuídos em diferentes funções.
Ainda segundo a corporação, foram identificados 44 suspeitos ligados ao grupo criminoso. As apurações apontam que a liderança da organização seria exercida por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, atualmente preso em um presídio federal de segurança máxima em Mossoró (RN). Já Francisco Rafael Dias da Silva, o Mexicano, seria responsável por comandar as atividades cotidianas da facção na comunidade.
A Polícia Civil informou que o objetivo da operação é cumprir mandados judiciais, desarticular a estrutura da organização criminosa e reunir novos elementos para o avanço das investigações. Mais cedo, a Polícia Militar informou que não realizava operação própria na região.
Operação Contenção
De acordo com balanço divulgado pela corporação, a Operação Contenção já resultou na captura de mais de 360 suspeitos e na morte de outros 137 em confrontos. Também foram apreendidas cerca de 480 armas — entre elas 190 fuzis — e mais de 51 mil munições.
Mais lidas
-
1LOTERIAS
Horário da Quina de São João: veja como acompanhar o resultado
-
2ALARME FALSO
'Misantropia': sistema da Defesa Civil é invadido e dispara mensagem falsa em várias cidades
-
3INFRAESTRUTURA
Governo inaugura duplicação da AL-110 entre Arapiraca e São Sebastião
-
4ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
5EVENTO
Arapiraca sediará evento internacional que reúne pesquisadores do Brasil e do exterior