RJ em Foco
Quem é Ronaldinho Tabajara, alvo de operação no Dona Marta
Preso na penitenciária federal de Mossoró, ele é apontado pela polícia como uma das principais lideranças do Comando Vermelho
Principal alvo da operação deflagrada nesta terça-feira pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) no Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como Ronaldinho Tabajara ou R9, está preso desde 2016 na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Mesmo atrás das grades, ele continuaria, segundo investigações da especializada, a dar ordens a traficantes do Comando Vermelho (CV), facção da qual é apontado como uma das principais lideranças.
O traficante foi preso em abril de 2003, depois de passar três anos foragido. Ronaldinho acumula quase 90 anos de condenações. A maior delas, de 2006, ultrapassa 42 anos de prisão por tráfico e receptação no processo conhecido como caso Dona Vitória.
A trajetória de Ronaldinho Tabajara no crime, no entanto, começou antes dessa sentença. De acordo com relatório de inteligência da Polícia Civil, ele passou a atuar nos anos 1990, quando, ao lado do irmão, Raimundo Pinto, começou a comandar a parte baixa do Morro Dona Marta, em Botafogo. Na época, a parte alta da comunidade era chefiada por Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP.
Atualmente, Ronaldinho é alvo de mais de 50 inquéritos policiais. Em 2023, ele foi condenado a 30 anos de prisão por ordenar, também de dentro da cadeia, a morte de um traficante ex-aliado da Rocinha, comunidade localizada na Zona Sul do Rio.
É na Zona Sul que se concentra boa parte das favelas atribuídas ao controle de Ronaldinho. Segundo um inquérito, o traficante ainda teria “poder de decisão sobre todos os atos ilícitos que ocorrem” nas áreas sob influência da facção.
O mesmo relatório aponta que “as comunidades do Dona Marta e da Ladeira dos Tabajaras ainda não experimentaram momentos de paz após a ascensão de Ronaldo Pinto Lima Silva ao poder paralelo do tráfico”.
Facção na mira
Em abril de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão que renovou a permanência de Ronaldinho Tabajara em presídio federal até 2027. No mesmo mês, a Polícia Civil realizou outra ofensiva no Morro Dona Marta, que terminou com cinco mortos.
A ação tinha como objetivo localizar envolvidos na morte do policial civil João Pedro Marquini, marido da juíza Tula Mello.
Na ocasião, o alvo dos agentes era Vinícius Kleber Di Carlantonio Martins, conhecido como Cheio de Ódio, um dos mortos em confronto. Ele tinha 30 passagens pela polícia e, segundo a investigação, teria participado do ataque contra o agente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), ocorrido em março de 2025, na Serra da Grota Funda, na Zona Oeste do Rio.
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