RJ em Foco
Vídeos registram tiros e explosões no Dona Marta durante operação da Polícia Civil
Moradores de Botafogo, Humaitá, Laranjeiras e Copacabana relataram madrugada de intenso tiroteio; ação mira 44 integrantes de facção criminosa que atua no morro Santa Marta
Vídeos compartilhados por moradores nas redes sociais registraram uma sequência de tiros e explosões na região do Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, na madrugada desta terça-feira. Segundo relatos publicados na internet e enviados ao jornal O Globo, os disparos ocorreram por volta das 5h30 e também puderam ser ouvidos no Humaitá, em Laranjeiras e em Copacabana.
Nas publicações, os moradores descreveram momentos de medo diante da intensidade do confronto. "Acordando com um número absurdo de tiros no Botafogo. Alguém sabe que tiros e bombas são esses? Não para de jeito nenhum", escreveu um internauta. Outro afirmou que “nunca escuta teve tantos tiros” na região e reportagens semelhantes às de granadas.
Também houve relatos de moradores de ruas próximas a Dona Marta e de bairros vizinhos. “Muito tiro, escutando no Humaitá”, escreveu uma moradora. Outra afirmou que o barulho poderia ser ouvido em Laranjeiras e atribuiu os disparos à região de Dona Marta. Houve ainda quem levantou a possibilidade de entrega também na área do Tabajaras.
Na manhã desta terça-feira, 23 de junho de 2026, a Polícia Civil do Rio deflagrou uma operação no morro Santa Marta, em Botafogo, por meio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). A ação, coordenada pelos delegados Moysés Santana, titular da especializada, e Paulo Saback, delegado assistente, tem como objetivo cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela 26ª Vara Criminal da capital contra membros de uma organização criminosa que atua na comunidade.
Segundo a Polícia Civil, a operação é resultado de uma investigação conduzida ao longo de cerca de 22 meses, no âmbito do Inquérito Policial nº 902-00251/2024. Nesse período, foram realizadas diligências de campo, monitoramentos, classificações de dados e outras medidas investigativas para identificar a estrutura da associação para o tráfico na região.
As investigações apontaram que a localidade estaria sob domínio territorial de narcotraficantes fortemente armados, responsáveis pela venda de drogas, imposição de regras à população local, vigilância armada dos acessos e manutenção de uma estrutura criminosa visível à continuidade das atividades ilícitas na comunidade.
De acordo com a corporação, a liderança máxima da organização criminosa seria exercida por Ronaldo Pinto Lima e Silva, conhecido como “Ronaldinho Tabajara” ou “R9”, atualmente preso no Sistema Penitenciário Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ainda segundo a investigação, mesmo custodiada em uma unidade federal, ele continuaria exercendo influência sobre uma estrutura criminosa instalada no Santa Marta por meio de subordinados.
A Polícia Civil também inclui Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como “Mexicano”, como o principal responsável pela administração das atividades criminosas no morro Santa Marta. Ele exerceria a função conhecida no meio crime como “frente”, coordenando a logística do tráfico de drogas, a distribuição de funções entre membros da facção e a manutenção do domínio territorial armado.
Ao todo, a investigação coordena 44 membros da facção criminosa , com funções específicas dentro da estrutura hierárquica, incluindo gerentes, seguranças armadas, responsáveis pela comercialização de drogas, vigilantes de acessos e outros colaboradores.
Segundo a Polícia Civil, os mandatos foram deferidos diante do conjunto probatório reunido durante uma investigação. A ação busca desarticular a estrutura criminosa instalada na região, reuniu novos elementos de prova, enfraqueceu a capacidade financeira e operacional do grupo e restabelecer a autoridade do Estado em uma área historicamente impactada pela atuação do narcotráfico armado.
À medida que as investigações avançam para identificar outros envolvidos, aprofundar a análise dos elementos recolhidos durante o cumprimento das medidas judiciais e promover a responsabilização penal dos membros da organização criminosa.
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