RJ em Foco

Nova Serra das Araras terá 4 km da pista de subida liberados nesta semana

Trecho da BR-116, no Rio de Janeiro, será entregue nesta terça-feira (23) e aberto ao tráfego na quinta (25), com quatro faixas, acostamento, iluminação em LED e oito viadutos.

Agência O Globo - 23/06/2026
Nova Serra das Araras terá 4 km da pista de subida liberados nesta semana
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A nova Serra das Araras começa a deixar para trás as curvas que marcaram sua história e a ganhar um traçado mais moderno e seguro. Um trecho de quatro quilômetros da nova pista da Rodovia Presidente Dutra (BR-116), entre Piraí e Paracambi, no Rio de Janeiro, será entregue nesta terça-feira (23), em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O segmento inaugurado integra uma das maiores obras de infraestrutura em andamento no país e corresponde à pista de subida, no sentido São Paulo. O trecho conta com quatro faixas de rolamento, acostamento, faixas de segurança, iluminação em LED e oito novos viadutos.

Previsão de estreia em 2027

E mais:

O tráfego será liberado aos motoristas dois dias depois, na quinta-feira (25), às 15h. O intervalo será utilizado para a instalação da sinalização definitiva e a retirada das estruturas montadas para a inauguração. A expectativa é que cerca de 13 mil veículos utilizem diariamente o novo trecho. A próxima etapa da entrega está prevista para agosto, com quatro novos viadutos na pista de descida.

— Em relação ao avanço físico, já superamos 75% do total da obra. É a primeira entrega parcial, o primeiro trecho a ser 100% liberado para os clientes, e é importante para a conclusão da pista de descida. Vamos desviar todo o trânsito para esse ponto e, com isso, permitir o avanço das obras na descida, que deve ser finalizada até o primeiro trimestre de 2027 — explica Thiago Pinho, engenheiro e gerente de obras da CCR RioSP, uma empresa Motiva, responsável pela concessão.

Com o avanço que será concretizado nesta quinta-feira, sete das curvas mais críticas da Serra terão sido eliminadas do principal corredor logístico do país. A via é responsável pelo transporte de mercadorias que sustentam cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e ainda mantinha o traçado original da Serra, de 1928.

As obras de duplicação e modernização também prevêem, até a conclusão, a instalação de câmeras com detecção automática de incidentes. Será implementado ainda um sistema de iluminação inteligente, capaz de ajustar a intensidade da luz de acordo com as condições climáticas, como neblina e outras especificações que possam comprometer a visibilidade dos motoristas.

A liberação prevista para esta quinta-feira inclui oito novos viadutos, além de 14 taludes e estruturas de contenção associadas. O trecho corresponde a quase metade da futura pista de subida, que terá oito quilômetros. Até esta terça-feira, foram realizados 275 desmontes de rocha. Mais de 480 mil metros cúbicos já foram desmontados, e a previsão é que ainda ocorram de 80 a 100 novas detonações ao longo do ano.

— Já alcançamos mais de 80% das escavações de rocha. A previsão é que, ainda em setembro, haja uma grande diminuição no volume de fechamentos e, até novembro ou dezembro, sejam encerradas as interdições da rodovia — antecipada Thiago Pinho Batista. — Entre os grandes desafios da obra está fazer esse aumento de plataforma com a rodovia em operação. Conseguimos fazer as interrupções no momento da detonação para proteger a segurança das pessoas. Outro desafio é o desnível. A Serra das Araras, do topo ao pé, tem uma diferença de nível de quase 400 metros. Para efeito de comparação, é um Pão de Açúcar.

O intervalo no gargalo formado quando intercorrências afetaram a rodovia é uma das maiores expectativas dos usuários. Em novembro de 2025, um grave acidente envolvendo três caminhões deixou uma pessoa ferida na BR-116, na altura do município de Piraí, no km 228. Com as consequências, houve queda de carga e a pista foi interditada por pouco mais de uma hora. Na ocasião, formou-se um engarrafamento de dez milhas.

Dos 390 mil veículos que passam pela Serra das Araras em um mês, 36% são de carga. Entre as soluções previstas estão as rampas de escape, dispositivos de segurança construídos nas margens das rodovias para permitir que veículos pesados ​​com falhas nos freios parem com segurança antes de provocar acidentes graves.

— Também temos um caso especial atualmente: o das cargas com excesso de largura ou comprimento. Hoje, elas não conseguem descer a pista no horário comercial. Esses veículos descem no período noturno, com o fechamento completo da rodovia. Com a liberação total das pistas de descida, não teremos mais esse ponto de parada obrigatório para esses veículos especiais — afirma o engenheiro da CCR RioSP/Motiva.

As obras em toda a concessão, que têm 626 quilômetros, contam com apoio de R$ 10,7 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Veja as características do projeto integral:

Oito quilômetros de extensão por sentido, totalizando 16 quilômetros;

Quatro faixas por pista, na subida e na descida;

Vinte e quatro viadutos ao todo;

Três passarelas para pedestres;

Duas rampas de fuga para a segurança dos caminhoneiros;

Novo limite de velocidade nas duas pistas atualizadas para 80 km/h.

Impactos previstos

Redução do tempo de viagem em até 25% na subida e até 50% na descida;

Mais segurança viária, com diminuição de curvas, por exemplo;

Maior fluidez e ampliação da capacidade da rodovia.