RJ em Foco
Polícia busca suspeitos de torturar e esquartejar adolescente de 14 anos
Investigações apontam que Ronaldo Henrique Souza Peixoto esteve com amigos na comunidade César Maia e foi sequestrado por traficantes; corpo foi encontrado dois dias depois
A Polícia Civil realiza, nesta sexta-feira, uma operação para prender suspeitos de torturar e matar o adolescente Ronaldo Henrique Souza Peixoto, de 14 anos, em março deste ano. Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), os alvos são ligados ao Comando Vermelho (CV) e atuam na comunidade César Maia, em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio.
De acordo com a apuração da DHC, Ronaldo morava em Senador Camará, na Zona Oeste da capital, e foi à comunidade César Maia acompanhado de dois amigos adolescentes para encontrar a namorada de um deles, no dia 29 de março. Quando o grupo deixava o local, foi interceptado por criminosos armados e levado de volta para a comunidade.
As investigações apontam que os três jovens foram submetidos a uma sessão de tortura. Dois deles conseguiram escapar, mas Ronaldo permaneceu desaparecido. Dois dias depois, o corpo do adolescente foi encontrado em Guaratiba, também na Zona Oeste do Rio.
Após ouvir depoimentos, realizar diligências e analisar informações de inteligência, os agentes identificaram quatro adultos como responsáveis diretos pelo crime, além do envolvimento de um adolescente. Com base nas provas reunidas, a DHC representou pela prisão dos suspeitos e pela apreensão do menor.
Base operacional do CV
Durante as investigações sobre a morte de Ronaldo, a DHC identificou que a comunidade César Maia funciona como uma das principais bases operacionais do Comando Vermelho. Segundo os agentes, criminosos partem do local para invadir comunidades rivais e expandir a atuação da facção nas zonas Oeste e Sudoeste da capital.
A polícia afirma que a região vem sendo utilizada como ponto estratégico para planejamento, abrigo e fuga de criminosos envolvidos em ataques e homicídios registrados na região.
Os agentes da DHC também apuraram que criminosos da comunidade têm envolvimento em outros crimes ocorridos na capital. Entre eles, está o assassinato do policial civil João Pedro Marquini, em março de 2025. Na ocasião, integrantes do Comando Vermelho, que retornavam de um ataque contra grupos milicianos em Santa Cruz, na Zona Oeste, tentaram roubar os automóveis do agente e de sua esposa, a juíza Tula Correa de Mello. O policial foi morto no local, e os criminosos fugiram para a César Maia, onde o carro usado no crime foi encontrado.
Outro caso citado nas investigações é a morte do casal Igor Dante Santos e Ariane Anselmo Cortes, que estava grávida, em abril deste ano, na comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste. De acordo com a polícia, dois traficantes confundiram as vítimas com milicianos e as executaram a tiros.
Em outros homicídios ocorridos na região de Guaratiba, área de atuação de grupo miliciano, os agentes constataram indícios de que os crimes foram praticados por traficantes que usaram a comunidade César Maia como base.
Outras comunidades
Além de buscar os suspeitos de matar Ronaldo, os policiais também atuam nas comunidades Coroado e Fontela, em Vargem Pequena, para combater o avanço do Comando Vermelho na região.
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