RJ em Foco
Deputado é investigado por suspeita de tentar barrar demolição de resort atribuído a Peixão
Apuração aponta que parlamentar teria usado influência política para tentar impedir operação contra construções ligadas ao chefe do TCP no Rio
A operação deflagrada nesta quinta-feira pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) tem relação com um caso já revelado com exclusividade por O GLOBO. Em maio, uma investigação da Polícia Federal revelou que membros da cúpula do Comando Vermelho (CV) discutiram a abordagem política com influência junto ao poder público.
Entre os alvos da ação estão o deputado estadual Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins, investigados por suspeita de atuação em favor de interesses do Terceiro Comando Puro (TCP). Os nomes já foram apresentados em apurações anteriores relacionadas ao entorno de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontados pelas autoridades como chefe da facção.
Esconderijo do traficante Peixão
Políticos investigados têm votação maior em áreas próximas ao 'resort'
De acordo com o inquérito da Polícia Federal, em 16 de janeiro de 2025, o traficante Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, invejou o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, uma foto do deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, o Val Ceasa, durante reunião no Palácio Guanabara sobre o programa Segurança Presente. Na imagem, o parlamentar apareceu ao lado do então governador Cláudio Castro e dos vereadores.
Após encaminhar a fotografia, Gardenal escreveu: “Te falei, Val é o contato dele”. Em seguida, Doca respondeu: “É, mano, esse cara tem que vir para nós”. Para a Polícia Federal, a troca de mensagens indica o interesse da facção em aliciar agentes políticos para ampliar sua influência e obter proteção institucional.
A investigação também revelou que uma conversa fazia referência a uma suposta proximidade entre Val Ceasa e Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. A ligação entre os dois já mencionados na reportagem de O GLOBO, segundo a qual a demolição de um resort atribuído ao tráfego, na Cidade Alta, foi adiada por cerca de 15 meses após articulações políticas.
O episódio passou a ser investigado pela Procuradoria-Geral de Justiça em procedimento sigiloso. Na época, Val Ceasa negou qualquer ligação com organizações criminosas e afirmou que o fato de ser relatado por terceiros não representa relação pessoal ou compromisso com essas pessoas.
Entenda a operação
O MPRJ cumpre, nesta quinta-feira, 14 mandatos de busca e apreensão contra o deputado estadual Val Ceasa, o ex-vereador Ulisses Marins, atualmente servidor municipal, e o ex-assessor parlamentar Jair de Mendes. Eles são investigados por suspeitas de envolvimento com o Terceiro Comando Puro.
Os mandatos são cumpridos no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), além de endereços no Ceasa, na capital fluminense e no Espírito Santo.
Segundo o MPRJ, uma investigação teve início após surgirem acusados de que os agentes públicos deveriam ser procurados pela Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a demolição de imóveis ligados à facção na Parada de Lucas, no Complexo de Israel.
O investigador afirma que os suspeitos usaram a influência das cargas para alegar que os imóveis seriam destinados à prestação de serviços sociais, versão que não foi confirmada pelas apurações. A operação acabou sendo adiada.
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