RJ em Foco
Um terço dos voos em Jacarepaguá descumpre regras de altitude, aponta relatório
Estudo divulgado antes da colisão entre dois helicópteros indica que 34% das decolagens no aeroporto não atingem a altitude mínima exigida
Apenas um mês antes do acidente envolvendo dois helicópteros, que mataram seis pessoas no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, neste domingo (14), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) informou que 34% dos voos que decolam do Aeroporto de Jacarepaguá não alcançam a altitude mínima necessária pelo.
O descumprimento sistemático foi identificado por um sistema de monitoramento instalado no final de 2025, capaz de registrar a trajetória e a altitude exatas das aeronaves.
Duas semanas antes do acidente, o deputado estadual Claudio Caiado e o deputado federal Hugo Leal enviaram um ofício às autoridades responsáveis exigindo punições mais severas aos infratores, incluindo multas mais altas e a suspensão de pilotos.
Os registros do sistema apontaram helicópteros operando abaixo de 100 pés e aviões abaixo de 700 pés, embora a norma do Decea estabeleça altitude mínima de 1.000 pés.
"É preciso descobrir o que aconteceu e reforçar a fiscalização para evitar que uma tragédia como essa volte a acontecer. Não podemos normalizar operações que coloquem vidas em risco. Por isso, quero deixar minha solidariedade aos familiares e amigos das vítimas", afirmou o deputado estadual, ao comentar o acidente do último domingo, que deixou seis mortos.
Um dos helicópteros que colidiram em pleno voo na manhã de domingo decolou do Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste, a poucos quilômetros do Recreio, onde ocorreu o acidente, levando apenas o piloto. A outra comunicação havia saído do Aeroporto Santos Dumont, na região central da capital fluminense.
Novo cenário desde 2020
A mobilização em torno do Aeroporto de Jacarepaguá começou em 2009. Em 2012, uma articulação entre moradores da região e as Forças Armadas realizou a criação de novas cartas de navegação, uma vez que as rotas existentes já impactavam a vida nas áreas residenciais.
O cenário, porém, mudou a partir de 2020, com o aumento das operações offshore e a chegada de voos comerciais regulares.
Desde então, os moradores relataram que as aeronaves passaram a sobrevoar a região em altitudes mais baixas. Em 2021, a Comissão de Defesa Civil da Câmara Municipal acionou o Ministério Público para investigar os riscos provocados pelo crescimento desordenado do tráfego aéreo. Somente após a instalação dos radares, em 2025, representantes de entidades locais de moradores relataram melhora no problema.
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