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Jovens realizam sonho da carreira militar em formatura da primeira turma feminina de soldados no Rio

Conquista foi celebrada por 142 formandas em cerimônia do Exército realizada no sábado

Agência O Globo - 15/06/2026
Jovens realizam sonho da carreira militar em formatura da primeira turma feminina de soldados no Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A boina verde-oliva do Exército Brasileiro ganhou um significado especial para Ana Carolina, jovem carioca de 19 anos. Mais que parte do uniforme, o item passou a representar sonho realizado, superação e disciplina para a moradora de Honório Gurgel, na Zona Norte do Rio, que se emocionou ao vestir oficialmente a farda militar.

A conquista de Ana é compartilhada por outras 141 jovens que se formaram soldados no último sábado, integrando a primeira turma feminina com essa graduação no Exército. Ana Carolina, agora identificada pela designação militar de soldado Nogueira, não planejava ingressar na instituição, mas afirma ter encontrado nas Forças Armadas uma nova forma de vida.

— Uma das coisas que eu mais aprendi foi ter disciplina e espírito de corpo, porque é um por todos e todos por um. É um companheirismo muito grande. São coisas que eu vou levar para toda a minha vida — contou Nogueira, que se alistou voluntariamente e, durante três meses, passou por intenso treinamento físico e técnico ao lado das colegas de turma.

Ainda adolescente, ela sonhava em cursar Direito, mas as dificuldades financeiras enfrentadas quando morava em Santíssimo, na Zona Oeste do Rio, fizeram com que os planos fossem adiados.

— Quando me alistei, achei que seria uma forma de planejamento para conseguir pagar a faculdade de Direito. Logo depois, me arrependi porque fiquei com medo de ter que me apresentar em um quartel. Nunca tinha ido a um lugar assim. Mas, depois que passei, foi um choque de realidade, porque vim de uma vivência totalmente diferente — afirmou a jovem, que chegou a vender brigadeiro e empadão na escola para ajudar nas despesas de casa.

Ao se tornar uma das primeiras mulheres formadas como soldados pelo Exército, Nogueira diz se ver como referência para outras meninas.

— É um peso, mas não de forma negativa. É a sensação de que eu não posso errar, de que tenho que buscar ser a melhor sempre. Ser inspiração é uma posição muito importante, porque não se pode fraquejar. É um peso que me favorece, porque busco alcançar sempre o melhor para mim mesma — avaliou.

Mudança de perspectiva

Ser exemplo para outras meninas nunca havia passado pela mente da soldado Maria Souza, que também se formou no sábado. Aos 19 anos, ela conta que enfrentava dificuldades de socialização na escola e hoje se alegra com a possibilidade de ajudar outras pessoas.

— Na escola, eu sempre era a mais quieta, a mais fechada, a mais excluída. Em casa, vivia em um ambiente hostil. Por isso, eu me isolava. Nunca me vi servindo de inspiração para ninguém. É uma surpresa muito grande agora ser vista — relatou Maria, moradora da Penha, na Zona Norte do Rio.

Acostumada a fazer trabalhos escolares sozinha, ela precisou se adaptar à rotina coletiva da formação militar e às atividades realizadas em grupo com as demais integrantes da turma.

— Mudou muito a minha percepção. No início, foi muito difícil ter que trabalhar em conjunto. Mas, com o tempo, não tenho mais a dificuldade que tinha no começo — destacou.

Sonho realizado

Para a soldado Ana, que também recebeu a boina verde-oliva no sábado, o início da carreira militar representa a realização de um sonho de infância.

— Era algo em que eu vinha pensando desde pequena e, quando surgiu a oportunidade, foi uma luz no fim do túnel. Eu não imaginava que iria conseguir. Estou vivendo esse sonho maravilhoso. Achava muito bonito ver os militares. Eu imaginava ser da Marinha, mas os caminhos foram trocados — disse, sorrindo, a jovem moradora do Jardim América.

Durante e após a formatura, familiares da soldado Ana se emocionaram ao vê-la com o uniforme militar e demonstraram orgulho pela conquista.

— Estamos construindo a nossa história. É tudo novo, mas fico muito orgulhosa de poder viver isso e dizer a outras meninas que elas podem, sim, conseguir o que desejam, assim como eu consegui — completou Ana.