RJ em Foco
Colisão de helicópteros no Recreio expõe risco a comunidades no entorno, diz especialista
Para engenheiro da UFRJ, avanço urbano próximo a aeródromos exige revisão do controle do espaço aéreo e amplia impacto de acidentes
A colisão entre dois helicópteros que deixou seis mortos na manhã deste domingo, no Recreio dos Bandeirantes, reacendeu o debate sobre a convivência entre a intensa circulação de aeronaves e o crescimento urbano na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Para o engenheiro Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o acidente expõe um problema que vai além das circunstâncias específicas da tragédia e envolve a ocupação de áreas próximas a aeródromos.
Segundo o especialista, o avanço das cidades sobre regiões originalmente destinadas à operação de aeronaves cria um cenário de risco que precisa ser considerado pelas autoridades.
— Temos hoje um problema na aviação brasileira, que são aeródromos muito próximos das cidades e praticamente engolfados pelo crescimento do espaço urbano, que invade o espaço de exclusão e as proximidades desses aeroportos — afirma Portela.
O acidente ocorreu por volta das 9h, quando duas aeronaves colidiram no ar na região da Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes. Um dos helicópteros caiu no pátio de uma concessionária de veículos elétricos, provocando um incêndio que atingiu cerca de 20 carros. A outra aeronave caiu a mais de cem metros de distância.
Entre os mortos estão os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac, além dos passageiros Oliver Tree, Lucas Frota, Lucas Vignale e Gaspar Prim Díaz.
Para Portela, a região onde ocorreu a colisão concentra fluxo intenso de aeronaves, especialmente nos fins de semana, quando aumentam os voos turísticos, panorâmicos e os deslocamentos para destinos da Costa Verde.
— Nessa região onde aconteceu o acidente, as aeronaves, num dia como esse de domingo, fazem passeios, vários tipos de voos de transporte de passageiros para as regiões turísticas próximas e voos panorâmicos. A circulação é muito grande, muito intensa — explica o especialista.
Portela ressalta que a investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deverá esclarecer as causas da colisão. No entanto, ele avalia que a apuração não deve se limitar às aeronaves envolvidas ou às ações dos pilotos.
Segundo o engenheiro, o episódio também evidencia a necessidade de uma discussão mais ampla sobre a gestão do espaço aéreo em áreas urbanas densamente povoadas.
— É preciso uma avaliação mais aprofundada e mais abrangente, porque esse acidente não se limita realmente só a helicópteros, pilotos e aeródromos, mas a toda a comunidade que está ao redor, que fica sob risco. Isso tem que ser considerado na investigação — afirma.
Na avaliação de Portela, uma das possíveis conclusões do processo poderá envolver mudanças na forma como o tráfego aéreo é administrado na região. A colisão ocorreu em uma área cercada por condomínios residenciais, centros comerciais e vias de grande circulação.
Além das seis mortes, a queda das aeronaves espalhou destroços por diferentes pontos do bairro, incluindo um terreno baldio e áreas próximas a residências.
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