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Queda de helicópteros no Recreio poderia espalhar incêndio; entenda riscos das baterias elétricas
Acidente envolvendo duas aeronaves atingiu garagem de concessionária de veículos elétricos e híbridos, o que ampliou o risco de propagação das chamas
O acidente com dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, terminou com a morte de seis tripulantes que estavam nas aeronaves. A tragédia, porém, poderia ter provocado danos ainda maiores, já que os veículos caíram em uma garagem de uma concessionária de carros elétricos e híbridos da região.
Com o impacto, as chamas se espalharam rapidamente por parte dos automóveis estacionados no local, atingindo baterias e provocando detonações secundárias. Uma densa nuvem de fumaça preta, visível a quilômetros de distância, se formou na área. O outro helicóptero caiu no mesmo lote, mas não entrou em combustão.
O risco de propagação foi ampliado pela presença de baterias de íons de lítio, usadas em veículos elétricos e híbridos. Quando submetidas a impactos, altas temperaturas ou danos estruturais, essas baterias podem entrar em um processo conhecido como fuga térmica, com superaquecimento, reignição e liberação de fumaça tóxica. Caso o fogo avançasse pelo pátio, poderia atingir condomínios vizinhos.
— A corporação encontrou um grande incêndio no local, onde tivemos 15 veículos incendiados junto com o helicóptero. O trabalho dos 50 bombeiros militares foi importantíssimo, evitando um mal maior. Observamos que o incêndio poderia se propagar para as edificações ao lado, justamente pelo potencial que um veículo elétrico tem, por causa das baterias de íons de lítio. Foi um trabalho de cercar o incêndio e resfriar a área para que não tivéssemos outras vítimas — explicou o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (CBMERJ), Fábio Contreiras.
O próprio CBMERJ divulgou, há poucos dias, um estudo sobre incêndios envolvendo baterias de lítio. A publicação destacou o aumento de veículos como motocicletas, ciclomotores e autopropelidos elétricos na cidade do Rio de Janeiro. Até o fim de maio, os bombeiros contabilizavam 36 ocorrências no ano, além de 25 registros envolvendo bicicletas elétricas.
Embora o documento não trate especificamente de carros elétricos, o princípio de risco é semelhante. A orientação é evitar deixar dispositivos carregando durante a madrugada e conectá-los apenas em ambientes ventilados, longe de cortinas e de outros materiais inflamáveis.
“Um dado relevante da pesquisa é que 62% dos eventos foram controlados inicialmente por populares antes da chegada das equipes do CBMERJ. Já 38% demandaram atuação operacional das guarnições, principalmente em cenários de maior complexidade, como lojas, depósitos, garagens fechadas e espaços confinados. O estudo alerta ainda para os desafios específicos no combate a incêndios envolvendo baterias de íons de lítio. Esses equipamentos podem apresentar reignição, emissão intensa de fumaça tóxica e dificuldade de resfriamento, exigindo técnicas especializadas por parte das equipes de bombeiros”, informou a corporação.
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