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Helicópteros que colidiram no Rio voavam por regras visuais, mas eram rastreáveis por radar

Aeronave que explodiu no Recreio vinha de Angra dos Reis com cinco pessoas; outra decolou de Jacarepaguá apenas com o piloto

Agência O Globo - 14/06/2026
Helicópteros que colidiram no Rio voavam por regras visuais, mas eram rastreáveis por radar
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um choque fatal nos céus da Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (14), levantou questões sobre a dinâmica de monitoramento do tráfego aéreo na capital fluminense. Os dois helicópteros que colidiram no ar e caíram sobre um lote comercial no Recreio dos Bandeirantes, deixando seis mortos, voavam com base na observação externa de seus comandantes. Ainda assim, pelas normas do espaço aéreo carioca, ambas as aeronaves deveriam emitir sinais contínuos de localização aos controladores em terra.

Para entender como duas aeronaves regulares puderam colidir em uma manhã de domingo, é preciso diferenciar as regras de navegação dos sistemas de identificação. Especialistas em aviação apontam que os modelos envolvidos no acidente operavam prioritariamente sob Regras de Voo Visual, conhecidas pela sigla VFR. Nesse regime, a responsabilidade primária de manter distância segura e evitar choques é dos pilotos, com base no princípio do “ver e evitar”.

Voar visualmente, no entanto, não significa estar “invisível” para os órgãos de controle. O espaço aéreo do Rio de Janeiro integra uma das áreas terminais mais movimentadas do país, a TMA-RJ. Para transitar pela região — seja a partir da Costa Verde, seja da própria Zona Oeste —, o uso de transponder ativo é obrigatório. O equipamento transmite continuamente a posição e a altitude da aeronave para as telas de radar do Controle de Tráfego Aéreo (ATC).

Com o impacto da aeronave que vinha da Costa Verde fluminense, as chamas se espalharam rapidamente pelas baterias de automóveis estacionados no local, provocando detonações secundárias e uma densa nuvem de fumaça preta, visível a quilômetros de distância. O outro helicóptero caiu no mesmo lote, mas não pegou fogo.

A violência da colisão espalhou partes das fuselagens por um raio superior a 100 metros. A cauda de uma das aeronaves, por exemplo, foi arremessada até o terraço de um edifício residencial vizinho. Até a última atualização desta reportagem, as identidades das vítimas não haviam sido confirmadas pelas autoridades.

Perfis das aeronaves

O helicóptero que se incendiou é um Eurocopter AS350 B2, atualmente designado Airbus H125 e popularmente conhecido como Esquilo. De matrícula PR-DJJ e fabricado em 2012, o modelo tem capacidade para um piloto e cinco passageiros, mas viajava com um assento vago. O registro de propriedade está em nome do empresário Maurício da Cunha e Silva Espíndola Dias desde 2021. Ainda não há confirmação se o titular estava a bordo.

A segunda aeronave, que transportava apenas o comandante, é um Bell 206B Jet Ranger, de prefixo PP-MAC. Fabricado em 1999 pela empresa norte-americana Bell, o helicóptero tem capacidade para até cinco pessoas. O bem foi adquirido recentemente, em outubro de 2024, pela empresa Turfik Comércio de Frutas Ltda.

As duas aeronaves possuíam certificados de aeronavegabilidade ativos e regulares junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Investigadores da aviação civil foram deslocados para o local do acidente para iniciar a perícia, coletar dados e apurar os fatores que levaram à perda de separação entre os voos.

O GLOBO informou ter procurado a Turfik e o empresário proprietários dos helicópteros, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.

Nota do Cenipa

“A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informa que, neste domingo (14), investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 3), com sede no Rio de Janeiro (RJ), foram acionados para realizar a ação inicial da ocorrência envolvendo duas aeronaves, de matrículas PP-MAC e PR-DJJ, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro (RJ).

Durante a ação inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação.”