RJ em Foco

Casas que abrigam algumas das melhores rodas de samba do Rio

Beco do Rato, na Lapa, e Batuq, na Penha, aparecem entre os espaços mais citados por jurados ouvidos pelo GLOBO

Agência O Globo - 14/06/2026
Casas que abrigam algumas das melhores rodas de samba do Rio
Rodas de samba no Rio têm programação especial em fim de semana de jogo do Brasil - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Entre as rodas de samba mais lembradas por um júri de 50 bambas ouvido pelo GLOBO, os redutos onde esses encontros acontecem também ganharam destaque. Além dos grupos e artistas, casas tradicionais da cidade aparecem como espaços fundamentais para a preservação e a renovação do samba carioca.

O Terreiro de Crioulo, campeão da votação e realizado na Rua do Imperador, em Realengo, mantém viva a força da ancestralidade. Parte do terreno onde o evento acontece, inclusive, ainda conserva o chão batido. Mas dois estabelecimentos do Rio apareceram mais de uma vez na lista divulgada pelo jornal: o Beco do Rato, na Lapa, e a Batuq, na Penha.

Depois de funcionar como depósito de bebidas, o Beco do Rato ganhou novo fôlego na década passada, quando o empresário Lúcio Pacheco comprou o imóvel, localizado na Rua Joaquim Silva, 11, e reformou o espaço após a morte do pai, Márcio, antigo proprietário. Hoje, a casa abriga duas das rodas mais votadas pelos jurados: Encontros Casuais, de Inácio Rios e Mosquito, e Arlindinho das Antigas.

— O sucesso da casa passa justamente por esse cuidado na curadoria. As atrações são escolhidas pensando na excelência musical, na conexão com a tradição do samba e na capacidade de criar uma experiência verdadeira para o público — avalia Lúcio, que tem como sócios Isadora Pacheco e Marcelo Amorim. — O Beco se tornou um ponto de encontro porque as pessoas sabem que aqui vão encontrar grandes artistas, rodas genuínas e uma atmosfera que celebra a cultura popular carioca.

Na Penha, na Rua Belizario Pena, 1.141, está a Batuq, que se apresenta como a “melhor casa de samba do Subúrbio”. Rosalinas e Saideiras Casuais são duas das rodas citadas que se apresentam no espaço, que também recebe outros nomes lembrados na votação. O próprio Terreiro de Crioulo, campeão da lista, tem apresentação marcada na casa neste domingo.

— O espaço foi criado para se fazer samba. Os frequentadores eram do samba e, com o processo de escuta, cultivamos isso: é um espaço majoritariamente feito para a cultura preta — observa Felipe Pereira, sócio e produtor da Batuq.

Conhecida como “casinha amarela”, apelido que remete a uma antiga construção pintada dessa cor existente no terreno em 2019 — demolida posteriormente para dar lugar a melhorias voltadas ao público —, a Batuq passou a ampliar sua atuação para além do entretenimento. A partir do próximo mês, o espaço deverá oferecer aulas de violão e cavaquinho, entre outras atividades, para estimular a ocupação pela população local nos dias sem apresentações.

O estabelecimento da Penha, que também tem como sócios Marcelo e Romulo Couto, Marcio Teixeira, William Oliveira e Luciano Bom Cabelo, busca atender a dois públicos: o dos frequentadores e o dos artistas. Atualmente, o palco central, em formato 360 graus, aproxima músicos e plateia. A Batuq também conta com uma unidade em Niterói.