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Justiça decide que acusados de envolvimento na morte de Romário Barros não irão a júri popular

Juiz impronunciou Vanessa Alicate, o deputado Renato Machado e o subtenente Davi por entender que não há indícios suficientes de autoria

Agência O Globo - 13/06/2026
Justiça decide que acusados de envolvimento na morte de Romário Barros não irão a júri popular
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu não levar a júri popular os acusados de envolvimento no assassinato do jornalista Romário Barros, fundador do portal Lei Seca Maricá, morto a tiros em junho de 2019.

Em decisão da Vara Criminal de Maricá, o juiz impronunciou Vanessa da Matta Andrade, conhecida como Vanessa Alicate, o deputado estadual Renato Machado e o policial militar reformado Davi de Souza Esteves, o Subtenente Davi. Para o magistrado, não foram produzidas provas suficientes de autoria ou participação dos acusados no crime.

Na decisão, o juiz afirma que os elementos reunidos ao longo da investigação se mostraram frágeis para sustentar o envio do caso ao Tribunal do Júri. Segundo o texto, a apuração se apoiou, em grande parte, em relatos indiretos, informações de disque-denúncia e declarações posteriormente contraditórias ou retratadas, sem que surgissem provas consideradas consistentes para vincular os acusados ao homicídio.

O próprio Ministério Público, em alegações finais apresentadas após a instrução do processo, também pediu a impronúncia dos acusados.

O que dizia a acusação

A denúncia sustentava que o jornalista teria sido assassinado por vingança, em razão de reportagens e publicações que teriam atingido a reputação de Renato Machado e Vanessa Alicate.

Segundo o Ministério Público, os executores do crime seriam Rodrigo José Barbosa da Silva, conhecido como Rodrigo Negão, e Davi de Souza Esteves. Já Renato Machado e Vanessa teriam atuado como mandantes.

De acordo com a denúncia, Romário foi morto quando saía de casa. A acusação afirmava que Rodrigo Negão e Subtenente Davi teriam aguardado a vítima e executado o jornalista a mando de Renato Machado.

Relembre o caso

Romário Barros, fundador do portal Lei Seca Maricá, foi assassinado na noite de 18 de junho de 2019, aos 31 anos. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o jornalista entrou em seu carro, no bairro de Araçatiba, e foi surpreendido por um homem armado, que se aproximou do veículo e efetuou os disparos. O atirador fugiu em seguida em um carro que o aguardava logo atrás.

A morte teve grande repercussão porque ocorreu menos de um mês após outro assassinato de jornalista na cidade. Em maio daquele mesmo ano, Robson Giorno, proprietário de um jornal local, também havia sido executado. Ambos eram conhecidos por acompanhar e publicar informações sobre a política de Maricá.

Em 2023, uma operação conjunta da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) levou à prisão de Vanessa Alicate e Rodrigo Negão.

Na ocasião, os investigadores afirmaram ter identificado uma ligação entre diferentes homicídios ocorridos em Maricá em 2019, incluindo os assassinatos de Romário Barros, do vereador Ismael Breve de Marins e de seu filho, o advogado Thiago André Marins.

As investigações apontavam Rodrigo Negão e Subtenente Davi como responsáveis por execuções atribuídas ao mesmo grupo criminoso. No caso de Thiago Marins e do vereador Ismael Breve, a acusação sustentava que Vanessa Alicate teria sido a mandante do crime, motivado por conflitos familiares e financeiros envolvendo o ex-companheiro Thiago, com quem tinha uma filha.