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Temporada de baleias jubarte aumenta procura por passeios no litoral do Rio
Guia lançado pelo Visit Rio orienta turistas e operadores sobre segurança e preservação durante a migração da espécie
O aumento dos avistamentos de baleias jubarte no litoral fluminense, incluindo as águas do Rio de Janeiro, tem impulsionado a procura por passeios de observação em mar aberto. Apesar do porte imponente, esses mamíferos precisam de tranquilidade para seguir sua rota migratória rumo ao Banco de Abrolhos, na Bahia, uma das principais áreas de reprodução da espécie.
Gigantes que podem pesar toneladas, as jubartes são sensíveis a perturbações, como ruídos de embarcações, aproximações inadequadas e presença de mergulhadores. Por isso, a expansão do turismo de observação exige atenção às normas de segurança e preservação ambiental.
O amor está no mar:
O mar está para baleia:
Diante desse cenário de crescimento da atividade turística, o Visit Rio lançou um guia de boas práticas para a temporada de migração das baleias jubarte. A iniciativa busca orientar turistas e operadores de embarcações sobre como acompanhar o fenômeno anual, que pode se estender até agosto, sem causar impactos aos animais.
No município do Rio, um dos principais pontos de avistamento tem sido a região próxima às Ilhas Cagarras, área conhecida pela diversidade de vida marinha.
Produzida em parceria com as empresas Let’s Go Sea e Saveiros Tour, a cartilha reúne recomendações de segurança marítima e preservação ambiental baseadas em normas do Ibama e em protocolos do Instituto Baleia Jubarte. O material está disponível em versão digital e pretende contribuir para a organização de uma atividade que vem ganhando popularidade, impulsionada também pelas redes sociais.
— O crescimento rápido da demanda, no entanto, também acendeu um alerta, com embarcações navegando em áreas inadequadas e preocupando instituições ligadas à preservação ambiental. Queremos que as baleias continuem proporcionando esse espetáculo em nossa cidade, mas, para que isso aconteça de forma sustentável, é fundamental que todos estejam alinhados às boas práticas — afirmou Luiz Strauss, presidente-executivo do Visit Rio.
Veja vídeos:
O que diz o guia
Entre as principais orientações para o avistamento responsável estão:
Manter distância mínima de 100 metros das baleias;
Não interceptar a rota dos animais;
Evitar manobras que alterem o comportamento natural da espécie;
Respeitar as regras de navegação e preservação ambiental;
Priorizar a observação sem interferência direta na movimentação dos cetáceos.
Além da preocupação com a conservação das jubartes, o guia destaca os cuidados necessários para a realização dos passeios em mar aberto. Segundo operadores do setor, a aproximação excessiva pode representar riscos tanto para os animais quanto para as embarcações.
— Não é um passeio de churrasco ou uma saída recreativa comum na Baía de Guanabara. É uma experiência de observação em oceano aberto, e as pessoas precisam estar preparadas para isso. Mesmo um toque leve pode ser perigoso. A embarcação tem hélice, leme, e a baleia pode chegar a 40 toneladas e 16 metros de comprimento — explicou Luiz Nogueira, proprietário da Let’s Go Sea.
Todos os anos, as jubartes percorrem milhares de quilômetros entre a Antártida e a costa brasileira, em uma das maiores migrações do planeta. Após meses se alimentando de krill, animais semelhantes ao camarão, nas águas geladas do extremo sul, elas seguem em direção ao litoral da Bahia, especialmente ao arquipélago de Abrolhos, onde ocorre a reprodução da espécie.
No trajeto, as baleias passam pela costa fluminense. Segundo as empresas responsáveis pelos passeios, os registros nas proximidades das Ilhas Cagarras cresceram nos últimos anos e, em algumas temporadas, os animais chegaram a circular entre as ilhas do arquipélago.
Os passeios também costumam registrar a presença de golfinhos, botos, pinguins e outras espécies marinhas. As saídas duram entre cinco e seis horas e são realizadas em mar aberto. O período da manhã é considerado o mais favorável para observação, devido às condições mais estáveis do oceano.
Para Fernanda Gularte, bióloga da Saveiros Tour, a atividade tem potencial para ampliar a conscientização ambiental e fortalecer a relação do público com a preservação dos oceanos.
— As pessoas precisam entender que esse é um turismo ecológico, sustentável, e não um turismo predatório. A gente só preserva aquilo que conhece, aquilo que emociona e aquilo com que cria conexão. O turismo ecológico tem um papel fundamental de aproximar as pessoas das questões ambientais e da preservação dos oceanos — disse.
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