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Caso Henry: relatos de agressões contra crianças, contradições e bate-boca marcam quarto dia do júri de Jairinho e Monique

Sessão teve depoimentos sobre suposta violência atribuída ao ex-vereador, embates com a acusação e novos momentos de tensão no plenário

Agência O Globo - 29/05/2026
Caso Henry: relatos de agressões contra crianças, contradições e bate-boca marcam quarto dia do júri de Jairinho e Monique
Henry Borel - Foto: YOUTUBE/Reprodução Fonte: Agência Senado

O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros entrou no quarto dia nesta quinta-feira marcado por relatos de supostas agressões atribuídas ao ex-vereador, contradições em depoimentos de testemunhas e novos momentos de tensão no plenário. Até agora, dez das 27 testemunhas previstas já foram ouvidas, e o júri será retomado às 9h desta sexta-feira, no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio.

Os donos do crime:

Caso Henry:

A sessão começou com atraso após uma jurada passar mal antes do início dos trabalhos. Ela recebeu atendimento médico, e o julgamento foi suspenso. Em júris populares, não há suplentes: caso um jurado precise ser afastado definitivamente, a sessão precisa ser anulada e reiniciada.

Confira como foi o quarto dia de julgamento:

Empregada se contradiz e acusação exibe troca de mensagens com Monique

O depoimento da empregada doméstica Leila Rosângela Mattos foi marcado por contradições e embates com a acusação. Funcionária da casa onde Henry morreu, ela pediu para depor sem a presença dos réus, pedido de aceitação pela justiça.

Praça Onze Maravilha:

Em plenário, Leila negou ou disse não se lembrar das declarações prestadas anteriormente à polícia. Inicialmente, afirmou que Henry saiu “normal” de um quarto onde havia permanência sozinho com Jairinho e negou ter visto a criança mancando.

Após a insistência da acusação, porém, soubemos que o bebê questionou Henry sobre a dificuldade para andar e mudou parcialmente a versão:

— Ele saiu assustado, não apavorado. A palavra é essa.

A promotoria também exibiu mensagens trocadas entre Leila e Monique após a morte de Henry para contestar a versão da testemunha de que não teria voltado a trabalhar na casa depois do crime.

Cabeleireira relaciona ligação em que Henry diz que levou 'banda'

A cabeleireira Tereza Cristina de Souza afirmou ter ouvido Henry, durante uma chamada de vídeo com Monique no salão onde a mãe do menino estava, dizer que o “tio” havia lhe dado uma “banda”.

'Sem Alma':

Segundo a testemunha, Henry estava “choroso” durante a ligação e disse à mãe se ele “a atrapalhava”. Ela afirmou ainda ter visto um vídeo em que o menino aparecia mancando.

De acordo com Tereza, após uma ligação, Monique telefonou para um homem que ela deduziu ser Jairinho para reclamar do comentário do filho. Segundo uma testemunha, o homem respondeu que deixaria a babá porque ela era “fofoqueira”.

A manicure Paloma Meireles, que também atuou no local, confirmou o relato da cabeleireira e afirmou que Monique estava exaltada durante a ligação.

Filha de ex-namorada relata agressões e diz que Jairinho levou para motel

Uma das testemunhas ouvidas foi Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada de Jairinho. Hoje maior de idade, ela teve episódios de agressões que afirmam ter sofrido quando era criança.

Segundo Kaylane, Jairinho a buscava em casa contando que a levaria para restaurantes, mas os encontros aconteciam em um lugar que hoje acredita ser um motel. Ela afirmou que Sofia agressões físicas nesses encontros e que chegou a usar gesso após uma lesão no braço.

Um jovem contorno ainda que não relatou as agressões à mãe porque era ameaçada emocionalmente pelo então padrasto:

— Ele falou que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste.

Outra ex-namorada relata violência de Jairinho contra o filho

Quem também testemunhou foi Déborah Mello Saraiva, ex-namorada de Jairinho e mãe de Enzo, menino que também sofreu agressões quando tinha entre 2 e 3 anos.

Nova documentação:

Segundo ela, o filho revelou anos depois que Jairinho colocou pano e papel em sua boca enquanto pisava em sua barriga. Déborah afirmou ainda que estava desacordada em outro cômodo porque teria sido dopada pelo então companheiro no mesmo dia em que, segundo ela, foi estuprada.

Ela também relembrou um episódio em que Enzo sofreu uma fratura no fêmur após sair sozinho com o ex-vereador:

— Quando fizemos o raio-x, ele estava com a perna quebrada — contorno.

Após infarto, advogado de Jairinho volta a compor a banca

O advogado Fabiano Tadeu Lopes retornou ao tribunal poucos dias após sofrer um infarto enquanto preparava a defesa de Jairinho. Na chegada ao fórum, voltou a resolver o problema de saúde ao uso prolongado de anabolizantes e defendeu novamente o adiamento do júri.

'Ela parecia não acreditar',

Fabiano também criticou o fato dos jurados já terem participado de outros julgamentos demorados pelos promotores do caso:

— Os jurados que estão aqui não são mais isentos, os jurados que estão aqui já tiveram contato com o promotor de justiça.

Sessão interrompida após suspeitas de leitura das anotações dos jurados

O julgamento também teve um momento de tensão após a juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu a sessão ao suspeitar que uma advogada observava as anotações feitas pelos jurados.

Governador em exercício:

A magistrada anunciou a mulher e afirmou que a retirada do plenário caso a situação se repetisse. A advogada deixou o tribunal após o episódio.

Do lado de fora, ela negou irregularidade e afirmou ter sido “humilhada exageradamente” pela justiça.

Henry Borel morreu aos 4 anos, em 8 de março de 2021, no apartamento onde Vivia com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca. Segundo o Ministério Público, o menino foi vítima de uma sequência de agressões dentro de casa. Jairinho e Monique responderam por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunha e fraude processual. Os dois negam participação no crime.

Pé-Sujo e Pé-Limpo: