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Voo 447: relembre o acidente da Air France que virou documentário

Queda de aeronave no Oceano Atlântico em 1º de junho de 2009 deixou 228 pessoas mortas

Agência O Globo - 21/05/2026
Voo 447: relembre o acidente da Air France que virou documentário
Air France

O acidente com o voo AF447, ocorrido há 17 anos, resultou na morte de 228 pessoas. As investigações apontaram que tanto a Air France quanto a Airbus foram inicialmente absolvidas em primeira instância. O desastre aconteceu na noite de 1º de junho de 2009, quando um Airbus A330, que fazia o trajeto entre Rio de Janeiro e Paris, caiu no Oceano Atlântico poucas horas após a descolagem. A aeronave transportava passageiros de 33 nacionalidades, entre eles 61 franceses e 58 brasileiros. A tripulação era composta por 12 pessoas — 11 franceses e um brasileiro.

Voo 447 da Air France:

Curso do processo:

Uma aeronave

As caixas-pretas confirmaram que o acidente foi causado pelo congelamento das sondas de velocidade enquanto o avião estava em voo de cruzeiro, em uma área de consequências adversas conhecidas como Zona de Convergência Intertropical. Esse problema levou os instrumentos a fornecer dados incorretos sobre a altitude, o que resultou na perda de controle da aeronave pelos pilotos.

A bordo do A330 de matrícula F-GZCP, viajavam pessoas de 33 países: 61 franceses, 58 brasileiros, 28 alemães, além de italianos (9), espanhóis (2), um argentino e outros.

Imprudência ou negligência

A Justiça francesa absolveu a Air France e a Airbus das acusações relacionadas ao acidente do voo 447. Ambas enfrentaram a acusação de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Quase 14 anos após a tragédia, o tribunal concluiu que, apesar de haver “falhas”, não foi possível comprovar uma relação de causalidade direta com o acidente. O julgamento contorno com nove semanas de audiências, encerradas em 7 de dezembro do ano passado.

Vozes do além-túmulo:

Segundo o tribunal, a Airbus cometeu “quatro imprudências ou negligências”, especialmente por não substituir as sondas Pitot do modelo “AA”, que apresentavam maior propensão ao congelamento nos aviões A330 e A340, além de reter informações relevantes.

A Air France foi considerada culpada por “imprudência culposa” devido à forma como distribuiu uma nota informativa aos seus pilotos sobre as falhas das sondas.

No âmbito criminal, contudo, o tribunal destacou que "uma relação de causalidade provável não é suficiente para tipificar um crime. Neste caso, como se trata de falhas, não foi possível demonstrar nenhum nexo de causalidade com o acidente".

Em comunicado, a Air France afirmou que “toma nota do julgamento” e que “sempre lembrará a memória das vítimas deste terrível acidente, expressando sua mais profunda solidariedade a todos os seus entes queridos”. A Airbus tomou a decisão judicial “coerente” com a conclusão da investigação de 2019, expressou compaixão aos familiares das vítimas e reafirmou seu compromisso total com a segurança da aviação.