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Primeiras pacientes do SUS no Rio relatam avanços com semaglutida após dois meses
O GLOBO acompanha rotina e resultados de mulheres que integram o programa pioneiro de combate à obesidade na capital
O tratamento da obesidade com semaglutida — princípio ativo do Ozempic — oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Rio de Janeiro completa dois meses nesta semana. Para avaliar os primeiros resultados, O GLOBO acompanhou um dia de atendimento no Supercentro de Saúde da Zona Oeste, em Campo Grande, onde são acompanhados os 320 participantes do programa. Até o momento, não houve desistências.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, 84% dos pacientes selecionados — todos com índice de massa corporal (IMC) acima de 40, além de diabetes ou comorbidades de alto risco cardiovascular — já apresentaram perda de peso.
Modelo multiprofissional e novos hábitos
“Esse é um projeto diferente, que não existe em outras cidades. Por isso, ampliamos o número de contemplados de forma gradual. O modelo é multiprofissional e conseguimos que todos sejam acompanhados por diferentes profissionais. Já observamos que 38% dos pacientes incorporaram o hábito de praticar atividade física”, destaca Rodrigo Prado, secretário municipal de Saúde.
A primeira paciente a receber o Ozempic, Maria das Graças da Silva, de 69 anos, iniciou o tratamento com 137 quilos. Após oito semanas, reduziu para 128,5 quilos. Graça conta com acompanhamento de psicólogo, nutricionista, médico e educador físico.
Segundo Lucas Villar, educador físico do supercentro, “essa etapa é fundamental para avaliar a capacidade funcional do paciente, já que a condição pode impactar o dia a dia”.
Mudanças no dia a dia e alimentação
Em casa, Graça segue as orientações de exercícios, como levantar e sentar repetidas vezes. Mesmo após uma queda recente, que resultou em lesão na perna, ela manteve a rotina, contando com sessões de acupuntura para aliviar dores.
Os episódios frequentes de dor e problemas circulatórios que a levavam ao hospital cessaram. Além disso, Graça relata uma mudança significativa nos hábitos alimentares: “Deixei de comer pão francês. Outro dia até provei, mas não senti mais vontade. É como se tivesse enjoado de pão.”
Sem sentir fome devido ao medicamento, ela passou a consumir mais frutas e sopas de legumes com carne. Um quadro de constipação foi resolvido com orientação nutricional e, com a perda de 11 centímetros de circunferência abdominal, Graça celebra pequenas conquistas cotidianas: “Antes, não era feliz. Não gostava de me vestir e evitava sair. Agora, estou muito feliz.”
Recuperação da autoestima e envolvimento familiar
Assim como Graça, Elma Silva Gonçalves, de 44 anos, também relata avanços. Iniciando o tratamento em 25 de março, ela reduziu de 141 para 133 quilos em quase dois meses, e seu IMC caiu de 61 para 57. “A mudança tem que partir de nós mesmos”, afirma.
Elma modificou a alimentação, passou a praticar exercícios e inspirou a família: seus filhos passaram a correr junto com ela, e a filha caçula quer seguir sua dieta. “Não quero chegar ao ponto de precisar de uma bariátrica. A aplicação do Ozempic me dá força, mas sei que terei que me esforçar ainda mais depois”, avalia.
Para ampliar o programa, a prefeitura do Rio aguarda o resultado de uma licitação em fase de registro de preços. As propostas das empresas serão entregues nesta quinta-feira.
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