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Crime ancorado no Porto do Rio: em duas operações em nove dias PF mira fraudes e tráfico de drogas
Primeira ação foi contra esquema bilionário de corrupção na alfândega e a segunda, contra tráfico internacional de drogas em contêineres com sacas de café
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a segunda operação com foco no Porto do Rio em apenas nove dias. Em 28 de abril, a PF e a Receita Federal realizaram a operação Mar Livre , voltada para um esquema bilionário de corrupção na alfandega, que, segundo as investigações, movimentou R$ 86,6 bilhões em mercadorias.
Na ocasião, 17 auditores fiscais e oito analistas tributários foram removidos da carga por determinação judicial. Eles também foram alvo de bloqueio de bens e restrições às atividades profissionais. Com os auditores da Receita, foram apreendidos mais de R$ 4 milhões.
Já nesta quinta-feira, o alvo da PF é um grupo suspeito de esconder drogas em contêineres com sacas de café. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, contra investigados considerados centrais na quadrilha.
De acordo com a Polícia Federal, outros alvos foram submetidos a medidas cautelares, como concessão de contato entre os envolvidos, restrição de deslocamento e monitoramento eletrônico.
A investigação teve início após a apreensão de aproximadamente 1,2 tonelada de cocaína escondida num contentor carregado com sacas de café, com destino à Alemanha, em junho de 2025.
As apurações indicam que o grupo estruturou um esquema sofisticado para enviar drogas ao exterior simulando operações comerciais lícitas de exportação de café. A quadrilha utilizava empresas de fachada, laranjas e transações financeiras complexas para ocultar a origem ilícita do dinheiro e inserir a droga nas cargas exportadas.
Segundo os elementos reunidos, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas entre seus integrantes. Um dos investigados exerceu o papel de chefe, coordenando negociações internacionais, entrega financeira e logística do envio da droga. Outros membros atuavam na intermediação comercial, completa de empresas e controle de carregamento de contêineres.
As investigações também revelaram o uso de recursos financeiros, exportações de atividades ilícitas, com acusações de lavagem de dinheiro por meio de transferências bancárias para dificultar o rastreamento de valores.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, entre outros crimes que possam ser identificados no decorrer das investigações.
A operação é um desdobramento da Missão Redentor II, realizada no âmbito da ADPF 635, e tem como foco a prisão de chefias do crime organizado, além de enfraquecer financeiramente essas organizações por meio do bloqueio de rotas usadas no escoamento de drogas.
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