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Rio de Janeiro vai sediar evento internacional sobre mudanças climáticas em junho

Entre os convidados já confirmados está o pesquisador brasileiro Carlos Nobre, referência mundial em estudos sobre as mudanças do clima

Agência O Globo - 07/05/2026
Rio de Janeiro vai sediar evento internacional sobre mudanças climáticas em junho
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Rio de Janeiro será palco, entre 1º e 6 de junho, da primeira edição da Rio Nature & Climate Week, evento internacional dedicado à discussão sobre mudanças climáticas com foco no chamado Sul Global — conceito que abrange cerca de 150 países unidos por desafios socioeconômicos e pela busca de maior protagonismo internacional. Já confirmados representantes de mais estão de 30 nações da América Latina, África e Ásia. As conferências e debates ocorrerão no Píer Mauá, no Museu do Amanhã e em outros espaços da cidade.

Modelo internacional inspira programação

Inspirada na New York Climate Week, realizada em setembro durante a Assembleia Geral da ONU, a Rio Nature & Climate Week terá encerramento com show ao ar livre na orla da Zona Sul. Os artistas convidados — dois brasileiros e um estrangeiro ligado a causas ambientais — e o local do palco serão anunciados nesta semana.

Segundo Rodrigo Medeiros, presidente do Instituto Natureza Clima e Brasil, responsável pela organização, o Rio quer reafirmar seu protagonismo nos debates ambientais: "Da ECO 92 à Cúpula Mundial de Prefeitos (C40), o Rio tem mantido liderança nesses temas. Agora, queremos ampliar esse papel nas discussões do Sul Global".

Estão previstas cinco edições anuais do evento. A programação de estreia incluirá exibição de documentários sobre o clima e eventos paralelos para debater questões locais. Projetos selecionados subsidiam R$ 10 mil e serão anunciados na próxima segunda-feira.

Participação de especialistas e lideranças

Entre os nomes confirmados está o climatologista brasileiro Carlos Nobre, referência mundial em estudos sobre mudanças climáticas. "O papel das cidades é fundamental. O Rio liderar esses debates é essencial. As cidades podem minimizar o problema com legislações que incentivam telhados verdes e a recuperação da vegetação nativa, dentro do conceito de cidade-esponja", ressalta Nobre.

Exemplo local e novos investimentos

Como parte das iniciativas ambientais, o prefeito Eduardo Cavaliere assina, nesta semana, acordo com o BNDES para adesão ao programa Floresta Viva, que prevê recursos para projetos de restauração da Mata Atlântica. O fundo ambiental contará com R$ 10 milhões — metade do município e metade do BNDES — e terá suas regras definidas no projeto de lei a serem votadas durante uma semana do evento.

O primeiro transporte será destinado ao reflorestamento da Área de Relevante Interesse Ecológico da Serra da Posse, na Zona Oeste do Rio, próximo ao Túnel Moacyr Sreder Bastos, conforme explica a vereadora e ex-secretária de Meio Ambiente, Tainá de Paula (PT), autora do projeto.

Cidades e o desafio climático

Sérgio Besserman, professor de Desenvolvimento Sustentável da PUC-RJ, destaca: "As mudanças já são realidade, não é possível impedi-las, mas é necessário agir para mitigá-las. Esse é o maior desafio do século XXI". Ele avalia que Rio e Niterói estão entre as cidades brasileiras mais qualificadas, embora ainda haja muito a avançar.

Também participam do evento nomes como o ex-primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ilan Goldfajn, a ativista indígena equatoriana Helena Gualinga e o presidente da COP30, André Corrêa do Lago. A deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP) reforça: "O evento deve debater a conexão entre clima, biodiversidade e justiça social. O papel das cidades é central, especialmente porque na Rio 92 nasceram grandes acordos ambientais".