RJ em Foco
Alerj evita votar prisão de Thiago Rangel sob mesmo mecanismo usado para soltar Bacellar
Assembleia pode rever prisões de deputados em até 24 horas, mas clima político adia decisão sobre o caso de Thiago Rangel.
A possibilidade de a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) revisar a prisão do deputado Thiago Rangel (Avante), detido nesta terça-feira durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, expôs um impasse político e aumentou a tensão entre os parlamentares. Apesar de existir previsão constitucional para que o caso seja analisado em até 24 horas, nos bastidores prevalece a avaliação de que não há ambiente favorável para levar o tema ao plenário neste momento.
Prerrogativa constitucional
A prerrogativa está prevista no §2º do artigo 102 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro e permite que a Alerj revise prisões em flagrante por crimes inafiançáveis, podendo decidir pela soltura por maioria dos votos. O mecanismo conta com respaldo do Supremo Tribunal Federal (STF).
Esse mesmo instrumento foi utilizado em dezembro do ano passado, quando o então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), foi preso na segunda fase da mesma operação. Na ocasião, os deputados decidiram pela soltura, com 42 votos a favor e 21 contra.
Rito e cautela
Pelo rito, após a prisão, os autos são encaminhados pela polícia à Alerj e analisados pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguirem para votação nominal em plenário. Mesmo que a Casa decida pela soltura, as investigações prosseguem, e o STF pode impor medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica ou afastamento do cargo.
Apesar da previsão legal, integrantes da Mesa Diretora pregam cautela. O entendimento predominante é de que uma eventual votação agora pode ampliar o desgaste da imagem da Assembleia, diante da gravidade das acusações.
Clima de tensão
O ambiente entre os deputados é de forte tensão. Desde as primeiras horas do dia, parlamentares evitaram comentar o caso, enquanto agentes da Polícia Federal realizavam buscas e apreensões no quarto andar do prédio da Alerj, onde funciona o gabinete de Rangel. Nos bastidores, a avaliação é de que qualquer movimento precipitado pode aprofundar a crise política e institucional.
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