RJ em Foco
Mensagens revelam suspeitas de violência atribuídas a grupo ligado a deputado
Conversas interceptadas pela PF indicam ameaças, pressão contra adversários e indícios de fraude em licitações e loteamento de cargos públicos.
Na decisão que autorizou a prisão do deputado estadual Thiago Rangel, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou mensagens interceptadas pela Polícia Federal que sugerem atos violentos e intimidação. Os diálogos, de 2022, mencionam disparos de arma de fogo contra um portão e ameaças direcionadas a uma pessoa que criticava o parlamentar nas redes sociais.
A prisão de Thiago Rangel foi autorizada por Moraes durante uma nova fase da Operação Unha e Carne , deflagrada nesta terça-feira (dados não informados) no Rio de Janeiro.
O conteúdo das conversas foi reunido pela investigação e reproduzido por Moraes ao analisar o pedido de medidas cautelares. Num dos trechos, em diálogo com um aliado, Rangel afirma: "vou dar jeito nele" e, em seguida, menciona que enviaria uma "surpresa", acrescentando: "depois de 12 tiros no portão o recado está dado".
Em outra conversa, os interlocutores discutem estratégias para evitar um alvo. Um deles diz: "temos que arrancar a cabeça dele sem dar direito para ele", ao que outro responde: "vamos avaliar o melhor momento e tirar".
As mensagens também sugerem um plano de intimidação envolvendo ataque ao carro de uma vítima. Em diálogo com Thiago Rangel, um aliado afirma: "o moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele", ao descrever uma estratégia para avançar o afastamento da pessoa.
Outros trechos indicam a intenção de "arrancar a cabeça" de um alvo e de "orquestrar" uma ação, evidenciando, segundo a Polícia Federal, o planejamento de atos violentos para avançar ou afastar adversários de posições de interesse do grupo.
Para a PF, os diálogos reforçam o grau de organização do grupo e o uso de ameaças como instrumento de atuação.
A decisão de Moraes atendeu ao pedido da PF, com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), e determinou medidas como buscas e apreensões em 21 endereços e pedidos de prisão preventiva de investigados, incluindo o deputado estadual Thiago Rangel Lima.
Segundo Moraes, os elementos reunidos apontam para crimes como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações.
"Os elementos informativos coligidos no curso da investigação evidenciaram os robustos da existência e a atuação atual de organização criminosa estruturada e estável, externa à prática reiterada dos delitos de peculato, corrupção ativa e corrupção passiva", afirmou o ministro.
A apuração também acorda acordos de loteamento de cargas públicas e direcionamento de contratos. Entre as provas apresentadas está uma planilha apreendida na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que listava parlamentares e registrava prazos e pedidos por cargas na administração.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo teria utilizado essa estrutura para influenciar nomeações e viabilizar esquemas de contratação direcionada, com posterior desvio de recursos públicos.
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