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Trocas no governo Ricardo Couto começam a dar forma à nova gestão: escolhidos são ligados ao meio jurídico e procuradores do Estado

As mudanças estão sendo feitas gradualmente e miraram, primeiro, as áreas mais estratégicas de governança, mas já atingiram braços políticos

Agência O Globo - 30/04/2026
Trocas no governo Ricardo Couto começam a dar forma à nova gestão: escolhidos são ligados ao meio jurídico e procuradores do Estado
Ricardo Couto - Foto: Reprodução

Pouco mais de um mês após assumir interinamente o governo do Rio, o desembargador Ricardo Couto já alterou quase um terço do primeiro escalonamento do Palácio Guanabara, conferindo à gestão um perfil mais definido. As mudanças ocorreram de forma gradual, priorizando inicialmente áreas estratégicas de governança, mas já alcançaram também setores de articulações políticas. A preferência do magistrado tem sido por procuradores do Estado, profissionais do meio jurídico e acadêmico.

Análise:

Couto quer criar regra

Nesta quarta-feira, foram realizadas quatro novas nomeações, das quais duas contemplaram procuradores do Estado. Bruno Debeux retorna à Procuradoria Geral do Estado (PGE) após ter deixado o governo de Cláudio Castro (PL) durante negociações do Palácio com a Refit — uma das maiores desenvolvedoras do Rio — e diante da recusa à compra de uma nova residência oficial. Na Secretaria do Meio Ambiente, Ricardo Couto exonerou o vereador Diego Faro (PL), aliado próximo de Castro e nomeado nos últimos dias da antiga gestão. O novo titular da pasta, Rodrigo Tostes de Alencar, também é procurador do Estado, com atuação na área ambiental.

Nas empresas públicas e autarquias, a linha de escolha permanece. O procurador Rafael Rolin foi indicado para a presidência da Cedae. Já no Rioprevidência, órgão envolvido no escândalo com o Banco Master, parte da cúpula foi substituída: o procurador Felipe Derbli de Carvalho Baptista assumiu a presidência.

O economista Guilherme Mercês também retorna ao comando da Secretaria de Fazenda, carga que ocupou durante o governo Wilson Witzel (Democratas) e no início da gestão de Cláudio Castro (PL).

Na área da saúde, o cirurgião urologista Ronaldo Damião, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), foi escolhido para assumir a Secretaria de Saúde, em substituição a Cláudia Mello, indicada pelo deputado federal Dr. Damião teve o apoio da Academia Nacional de Medicina e da Uerj, onde atuou como pró-reitor de Saúde.

As primeiras mudanças no alto escalonamento atingiram o núcleo mais próximo do ex-governador Cláudio Castro (PL). Logo após a renúncia, deixaram o governo o chefe de gabinete Rodrigo Abel e o secretário da Casa Civil, Nicolla Miccione (PL), este último para disputar o mandato. Para a chefia de gabinete, Ricardo Couto nomeou Marco Simões, que aconteceu alguns dias na Casa Civil por indicação de Miccione. Posteriormente, o governador em exercício definiu o procurador Flávio Willeman — também ex-desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) — para comandar a Casa Civil.

O delegado Roberto Lisandro Leão, mestre em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou a Prefeitura do Rio para integrar o governo estadual a convite de Couto. Ele foi nomeado para duas pastas estratégicas: o Gabinete de Segurança Institucional e a Secretaria de Governo, responsáveis ​​pela segurança de autoridades, articulação política com deputados e programas como Barricada Zero, Segurança Presente e Lei Seca.

Outro nome de destaque do meio jurídico escolhido por Ricardo Couto é o advogado Gustavo Alves Pinto Teixeira, que substituiu a Secretaria Extraordinária de Representação do Governo do Rio de Janeiro em Brasília. Teixeira também já foi desembargador do TRE-RJ e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).