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Técnico pode responder por homicídio culposo após morte de serralheiro em montagem de palco de Shakira

Gabriel de Jesus Firmino morreu na tarde de domingo, quando soldava uma das estruturas

Agência O Globo - 28/04/2026
Técnico pode responder por homicídio culposo após morte de serralheiro em montagem de palco de Shakira
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O técnico responsável pelo painel de controle do elevador onde o serralheiro Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, ficou imprensado e morreu durante a montagem do palco do show de Shakira poderá ser indiciado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar —, segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana).

— Ele disse que o Gabriel deu a ordem para apertar o botão de subir, mas independentemente de quem tenha dado a ordem, existem normas de segurança de trabalho que proíbem o funcionamento do elevador com alguém em seu interior. O técnico sabia que havia um trabalhador no local e, mesmo assim, acionou o equipamento — afirmou Lages.

O técnico ainda não prestou depoimento formal, mas apresentou sua versão ao delegado no local do acidente.

Lages também destacou possíveis falhas na estrutura de segurança. Segundo ele, o elevador não contava com botão do pânico, item que costuma estar presente para ser acionado em casos de emergência.

A polícia ainda apura quantos técnicos de segurança do trabalho estavam no local.

— Se havia técnico do trabalho, ele não poderia permitir que um operador e um serralheiro se comunicassem a essa distância e nem autorizar a operação do elevador com alguém dentro.

Comunicação a 25 metros de distância

De acordo com o delegado, no momento do acidente, Gabriel realizava a soldagem do último elevador enquanto se comunicava com o técnico responsável pela operação do equipamento, que estava a cerca de 25 metros de distância.

— Esse técnico ficava de frente para o Gabriel com o painel de controles e esperava o serralheiro ordenar quando podia acionar o elevador. Só que a organização do show pediu para instalar esse painel debaixo do palco e acredito que, por ser o último elevador, eles queriam facilitar o trabalho. Então o técnico foi para debaixo do palco e ficou se comunicando com o Gabriel a uma distância de 25 metros, mas numa dessas aconteceu isso.

Gabriel deixa a esposa, de 26 anos, e dois filhos, um menino e uma menina. O serralheiro trabalhava há mais de três anos na MG Coutinho Serviços Cenográficos, empresa contratada para a instalação dos elevadores que fariam parte da estrutura do evento.

As investigações seguem para esclarecer as circunstâncias do acidente. O delegado informou que o técnico iria prestar depoimento nesta terça-feira, mas passou mal e, até o final da tarde, ainda não havia comparecido à 12ª DP.