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Quadrilha que se passava por plataforma de pagamentos e usava máquinas de cartão para aplicar golpes é alvo de operação no Rio

Um dos investigados chegou a ser ouvido na delegacia e afirmou possuir oito máquinas, que, segundo sua versão inicial, seriam utilizadas em eventos de uma casa de shows no Recreio dos Bandeirantes

Agência O Globo - 27/04/2026
Quadrilha que se passava por plataforma de pagamentos e usava máquinas de cartão para aplicar golpes é alvo de operação no Rio

Uma quadrilha especializada em golpes digitais, que utilizou uma estrutura física com máquinas de cartão, foi alvo de uma operação da Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (dados). A ação, coordenada por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), cumpriu mandatos de busca e apreensão em endereços no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, e em São João de Meriti, Baixada Fluminense.

Até o momento, duas pessoas foram presas. Um dos detidos admitidos à polícia que cedeu oito máquinas de cartão, alegando inicialmente que seriam usadas em eventos de uma casa de shows no Recreio dos Bandeirantes. Posteriormente, ele confessou ter facilitado o uso dos equipamentos a pedido de outro membro do grupo, evidenciando uma atuação coordenada.

As investigações revelaram em 2025, após uma vítima procurar atendimento por aplicativos de mensagens e redes sociais, acreditando estar em contato com canais oficiais de uma plataforma de pagamentos. De acordo com a apuração, os criminosos se passavam pela empresa para conquistar a confiança das vítimas e induziram-las a realizar procedimentos que resultaram em transações bancárias não autorizadas.

Rede de máquinas de bétula

O que chamou a atenção dos investigadores foi uma estrutura montada pelo grupo para movimentar o dinheiro obtido nos golpes. Em vez de depender apenas de contas digitais, a quadrilha utilizou uma rede de máquinas de cartão, de diferentes operadoras, para processar os valores desviados. Em um dos casos, as transações foram rastreadas até equipamentos registrados em nome de um dos investigados.

Além da utilização dos terminais financeiros, o esquema contou com uma etapa ágil de dispersão dos valores: os montantes foram transferidos quase imediatamente via Pix para contas de terceiros. Segundo a polícia, essa estratégia visava dificultar o rastreamento e ocultar a origem ilícita dos recursos. Os responsáveis ​​por ceder ou operar as máquinas de cartão receberam comissões em dinheiro como contrapartida.