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De segurança a mobilidade, Niterói lança plano de metas a serem cumpridas até 2050

Prefeitura diz que nova versão do planejamento estratégico surge após concluir 90% das ações previstas de 2013 a 2033

Agência O Globo - 27/04/2026
De segurança a mobilidade, Niterói lança plano de metas a serem cumpridas até 2050
- Foto: Reprodução /Agência Brasil

Dona do maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado do Rio, segundo dados do IBGE, Niterói apresentará na quinta-feira a nova versão de seu planejamento estratégico de longo prazo, o “Niterói Que Queremos 2025–2050”. A proposta estabelece metas e projetos para as próximas décadas e atualiza o plano iniciado em 2013. O novo ciclo reúne 30 metas e 36 projetos estruturantes, organizados em sete eixos que vão de segurança e mobilidade a desenvolvimento econômico e inclusão social.

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A menos de uma semana para show,

— O plano de 2013 a 2033 deu muito certo. Cerca de 90% do que foi proposto aconteceu, e agora ganhou por dez meses para estruturar esse novo ciclo, com outros desafios e prioridades —avaliação do prefeito Rodrigo Neves (PDT).

Mais de 14 mil ouvidos

Segundo ele, o plano dará continuidade às diretrizes adotadas nos últimos anos, embora reposicione a agenda da cidade diante de desafios como o envelhecimento da população e a busca por novas fontes de receita. Mais de 14 mil pessoas participaram da primeira consulta pública para auxiliar na elaboração do projeto.

As prioridades elevadas foram divididas em: Niterói Segura, Saudável, Educadora, Dinâmica, Vibrante, Inclusiva e Inteligente.

— Lançamos essas metas mirando uma geração inteira. Isso é o que falta muitas vezes na administração pública, uma visão de médio e longo prazo — concluída.

Entre as entregas realizadas na fase anterior estão obras como o túnel Charitas-Cafubá, que liga a Zona Sul à Região Oceânica, a revitalização do Mercado Municipal e a requalificação da Concha Acústica. Além de programas para a Segurança Pública e a Habitação.

Belga é:

Na área de segurança, o objetivo é reduzir pela metade a taxa de homicídios até 2050. O índice já caiu 45% entre 2013 e 2023, chegando a 14 mortes por 100 mil habitantes. Para isso, estão previstos projetos como a ampliação do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), com mais câmeras e uso de reconhecimento facial, e ainda a criação de um Centro de Resiliência e Operações Inteligentes (Croi) voltado ao monitoramento de riscos, especialmente climáticos.

Outro foco para as próximas décadas é eliminar a presença de moradores em áreas de risco. Atualmente, cerca de 32 mil pessoas vivem nessas condições em Niterói. A meta envolveu reduções graduais ao longo das próximas décadas, combinando políticas habitacionais e intervenções urbanas.

No eixo social, o plano estabelece como prioridade garantir que famílias em situação de vulnerabilidade sejam atendidas por programas de transferência de renda. Também está entre as metas iguais a salários entre homens e mulheres. Iniciativas como o programa Vida Nova no Morro, voltado para a urbanização de comunidades, e o Niterói Por Elas, que articulam medidas para mulheres, integram esse conjunto de ações. Há ainda previsão de ampliação de programas de acolhimento à população em situação de rua.

A estratégia de desenvolvimento urbano do município também passa pela revitalização do Centro. A meta é aumentar para 40 mil o número de moradores na região, hoje vazios fora do horário comercial. A proposta inclui incentivos à moradia e à dinamização econômica, além da valorização de equipamentos culturais. Projetos como a reabertura do Cinema Icaraí e a criação de novos espaços ligados à obra do arquiteto Oscar Niemeyer e ao cinema brasileiro estão entre as apostas.

Os programas já em curso ajudam a ilustrar o modelo de ocupação que a prefeitura pretende ampliar. Um deles é o Aluguel Universitário, voltado para estudantes de baixa renda matriculados em instituições de ensino superior na cidade, como a Universidade Federal Fluminense (UFF). A concessão de auxílio financeiro para moradia em regiões próximas aos campi, principalmente no Centro, e busca reduzir a evasão causada pela distância e pelos custos de deslocação.

FOTOS:

O aluno do 5º período de Matemática da UFF, William Silva, de 29 anos, conta que enfrentou dificuldades para frequentar as aulas antes de ingressar no programa. Morador de Cachoeiras de Macacu, ele dependia de longas viagens diárias até Niterói.

— Muitas vezes eu chegava atrasado. Hoje, consigo morar no Centro e focar nos estudos — disse.

Também aluna da UFF, Maria Lima, de 19 anos, diz que a mudança trouxe impactos diretos na qualidade de vida e abriu novas oportunidades acadêmicas e profissionais.

— Consegui um estágio em Niterói e hoje posso aproveitar melhor a faculdade. Antes, quando morava em Maricá, chegava em cima da hora ou atrasada — diz ela, que vive numa casa com outros beneficiários do Aluguel Universitário. — Dividimos a rotina, voltamos junto da aula e isso traz uma sensação de acolhimento e segurança.

Mobilidade em duas rodas

Outro exemplo que deve seguir no novo ciclo é o incentivo à mobilidade por bicicleta. Ao longo da última década, o município expandiu sua malha cicloviária de cerca de 20 km para mais de 100 km, conectando bairros e incentivando o uso do modal. Em algumas vias, o fluxo de ciclistas aumentou sete vezes no período, com duas ciclovias entre as mais movimentadas do país, informou a prefeitura. Além disso, a cidade não registra acidentes fatais envolvendo ciclistas há sete anos.

Veja onde:

Niterói foi eleita a cidade mais amiga da bicicleta da América Latina no ranking global de cidades projetadas a pedaladas feitas por consultoria internacional Copenhagenize Design Company.

A estrutura inclui ainda o sistema de bicicletas compartilhadas, com mais de 150 mil usuários cadastrados, e o Bicicletaria Arariboia, no Centro, que oferece 800 vagas gratuitas e tem mais de 20 mil usuários. Morador da cidade, Willians de Souza afirma que a expansão das ciclovias facilitou suas posições.

— Hoje consigo pedalar com mais segurança e integrar com o transporte público. Isso melhorou muito meu dia a dia — incidente.