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Construtora inicia vendas de residencial no Buraco do Lume com projeto reduzido

Em vez de 24 andares, prédio terá 20 pavimentos e 624 apartamentos

Agência O Globo - 27/04/2026
Construtora inicia vendas de residencial no Buraco do Lume com projeto reduzido

O terreno conhecido como Buraco do Lume, no Castelo, receberá um novo edifício residencial de 20 andares, com 624 apartamentos sem garagem e quatro lojas. A responsável pelo empreendimento é a construtora Patrimar, que integra o programa Reviver Centro. A previsão é que as vendas das unidades, ainda na planta, sejam iniciadas até junho. Os apartamentos têm formatos de estúdios e até dois quartos. A área, vizinha à Praça Mário Lago, foi cercada na semana passada, o que gerou insatisfação entre representantes da esquerda carioca, já que o local era tradições utilizadas para reuniões políticas, como destacou o colunista Ancelmo Gois, do GLOBO.

Entenda:

'Passeios a pé'

— Aquele espaço sempre foi privado e não pertence à Praça Mário Lago. Mas os antigos proprietários nunca fizeram essa demarcação. Os tapumes foram colocados para esclarecer isso — explicado o CEO do Grupo Patrimar, Alex Veiga.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL) afirmou que, a partir de uma representação sua, o Ministério Público já instaurou um inquérito para apurar possíveis irregularidades na concessão da licença de obra pela Prefeitura.

Questão de ambiente

A construtora ainda não definiu valores de venda nem divulgou o prazo de entrega das unidades, mas, geralmente, esse tipo de empreendimento tem prazo estimado de 30 meses. O projeto aprovado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento difere da proposta original, que prevê um prédio de 24 andares e 720 apartamentos.

— O Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) solicita alterações para que, por uma questão de ambiência, o prédio fosse limitado ao gabarito do edifício-garagem Menezes Cortes, vizinho ao novo empreendimento — afirmou o secretário de Desenvolvimento Urbano, Gustavo Guerrante.

O destino do terreno, localizado na área remanescente do desmonte do Morro do Castelo no início do século XX, é motivo de debate há cerca de 50 anos. Em 1972, um projeto imobiliário previa um prédio de 50 andares, mas a construtora responsável faliu, deixando apenas parte das fundações e a garagem concluídas. O projeto era do Grupo Lume, cujo nome faz referência ao empresário Lynaldo Uchoa de Medeiros.

Após a falência, o imóvel foi incorporado aos ativos do antigo Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), cuja sede ficou na próxima, no Edifício Lúcio Costa, hoje ocupada pela Assembleia Legislativa (Alerj).

Ao longo dos anos, o terreno chegou a ser tombado pelo ex-prefeito Saturnino Braga. Entretanto, em 2020, o ex-prefeito Marcelo Crivella sancionou uma lei retirando o tombamento do local. Em resposta, a Alerj aprovou uma lei em março de 2020 para restabelecer o tombamento. Já em dezembro de 2022, na última sessão legislativa do ano, os deputados aprovaram um projeto do deputado Rodrigo Amorim (União) que novamente destombou o imóvel.