RJ em Foco
Operação cumpre mandados de prisão contra 21 pessoas ligadas à Família Avelino, entre elas cinco PMs
Clã é de Vassouras, no Centro-Sul Fluminense, e conhecido há 60 anos pela violência e pelo coronelismo
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) cumpriu, nesta quarta-feira, mandatos de busca e apreensão contra 21 pessoas ligadas a Vassouras, no Centro-Sul Fluminense, investigadas por crimes como assassinatos, ameaças e corrupção. Entre os alvos estão membros da família, cinco policiais militares, um advogado e suspeitos de atuar como pistoleiros do grupo, conhecido no Rio há 60 anos pela violência e pelo coronelismo. A ação é realizada com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MP e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Polícia Civil.
Estatísticas tristes:
Em anos:
As investigações conduzidas no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) próprio do Gaeco demonstram a existência de conduta criminosa sistemática e reiterada por parte dos membros da família, que tem forte influência não só em Vassouras, mas também em outros municípios do Sul. O grupo age com características de milícia privada. Isso inclui a prática de assassinatos já denunciados pelo Ministério Público, suspeitas de ocorrências de outras execuções, múltiplas tentativas de homicídio, controle territorial, corrupção de agentes públicos, estrutura hierárquica com clara divisão de funções e interferência sistemática da Justiça, entre outros.
De acordo com o MP, o histórico de violência e poder da Família Avelino remonta à década de 1930. São quatro gerações documentadas praticando homicídios. As apurações mostram que o clã e seus associados empregam uma série de mecanismos para escapar de ações judiciais, incluindo intimidação de testemunhas, ameaças extensivas a parentes e eliminação de adversários. O objetivo é criar um clima de medo que resguarde a chamada “lei do silêncio”.
Mulher não era vacinada:
Os mandatos estão sendo cumpridos em 29 endereços ligados aos investigados, nos estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Pará, com o apoio dos Gaecos locais. No Rio, os agentes cumprem mandatos na capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios, todos do interior. Durante a operação, foram apreendidas armas e munição.
Por causa do histórico de criminalidade violenta, da intimidação de autoridades e das obstruções sistemáticas, o Gaeco passou a concentrar todas as investigações criminais contra a Família Avelino.
Filipinho Avelino
Entre os alvos dos agentes estava segundo o g1, estão Felipe Aguiar de Oliveira Filho, o Filipinho Avelino — a casa dele foi alvo de buscas. Ele foi denunciado pelo MP por envolvimento em três homicídios descobertos e cinco tentativas de homicídio.
Os crimes aconteceram em 23 de outubro de 2022, durante uma festa no Riachuelo Esporte Clube, em Paraíba do Sul. O alvo era o policial militar George Rodrigo Mendes. As investigações revelaram que o crime foi cometido por vingança. Filipinho e um cúmplice estariam insatisfeitos com a condução de outros membros da Família Avelino para a delegacia, por crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, em janeiro daquele ano.
O crime aconteceu diante de diversas testemunhas. As investigações concluíram que o cúmplice foi o responsável pelos disparos e que Filipinho foi responsável por dirigir o veículo usado para que ambos chegassem e fugissem do clube.
A saga dos Avelinos
Segundo as investigações, os membros da Família Avelino matam por motivos banais e com a certeza da impunidade. Atualmente, uma nova geração do clã é investigada por outros assassinatos. Em maio de 2020, câmeras de segurança registraram um dos possíveis crimes ligados à família: é possível ver que um jovem mata a tiros dois rapazes que tentavam comprar bebida em um posto de gasolina em Novo Repartimento, no Pará.
As investigações apontaram que o assassinato foi cometido por João Pedro Bernardes Aguiar de Oliveira, que não carrega o sobrenome, mas faz parte da família.
Um outro crime, no qual a polícia suspeita do envolvimento de outro membro da família Avelino, aconteceu em janeiro de 2024 em Vassouras. A vítima foi o empresário Thiago Amorim Navarro, que era amigo dos Avelinos. A família da vítima acredita que a relação entre ele e Fernando César Avelino terminou por causa de um cheque de R$ 4 mil. Fernando é primo de João Pedro.
O empresário tinha muitas amizades, inclusive, com os "Alevinos". A família dele acredita que a relação entre ele e Fernando César Avelino terminou por causa de um cheque de R$ 4 mil.
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