RJ em Foco
Caso Henry: bastidores do julgamento têm choro de Monique, camisa com foto do filho e tensão com anúncio abandono da defesa de Jairinho
Abertura do júri é marcada por disputa entre defesas, reação da plateia e primeiros movimentos que podem influenciar o andamento do julgamento
Sob clima de tensão no plenário, a abertura do julgamento pela morte do menino Henry Borel foi marcada para uma reviravolta. Tão logo os trabalhos foram realizados, os advogados do Dr. Jairinho pediram o adiamento do processo, alegando problemas no acesso às provas.
Caso Henry:
Monique e Jairinho:
No banco dos réus, Monique Medeiros, mãe da criança e acusada também, chorou e está usando uma camisa com a foto do filho. Sentada ao lado da defesa, encontrando a maior parte do tempo com as mãos juntas, em silêncio. Sobre a mesa, diversos papéis e uma garrafa d'água.
Na mesa ao lado, Jairinho apareceu sem barba e usa um casaco azul-marinho com zíper. Durante a sessão, ele consultava documentos e conversava com seus advogados, muitas vezes dando uma mão à frente da boca. Atrás dos réus, uma fileira com cinco policiais permanentes formados, acompanhando o julgamento.
O clima, que já era de expectativa, se intensificou com o anúncio do abandono. A juíza questionou o advogado Zanone Júnior se ele tinha certeza da decisão.
— Absoluta — respondeu.
A ocorrência foi imediata. Houve burburinho entre os presentes, com cochichos e até um coro de “Ahhh”. O representante do Ministério Público lamentou o abandono. Já a defesa de Leniel Borel disse estar “triste” com a decisão e afirmou que irá pedir a atuação da Defensoria Pública caso a defesa deixe o caso. A fala foi aplaudida pela plateia, que acabou repreendida pela juíza.
Henry Borel, de 4 anos, morreu na madrugada de 8 de março de 2021 no Rio. Ele foi levado ao hospital já sem vida, após marcas de agressões violentas. O ex-vereador Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e coação. Monique é julgada por homicídio por missão qualificada, além de tortura e coação. As acusações têm como agravante o fato das agressões terem ocorrido em ambiente familiar e contra uma criança menor de 14 anos. Em caso de cláusulas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão para cada um.
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