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Viúva relata ação policial que resultou em morte no Morro dos Prazeres

Corpo do ajudante de cozinha Leandro da Silva Sousa foi levado para o Instituto Médico-Legal; mulher afirma que documentos do marido desapareceram após ação policial

Agência O Globo - 19/03/2026
Viúva relata ação policial que resultou em morte no Morro dos Prazeres
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um dia após a morte do marido, Leandro da Silva Sousa, durante a operação policial no Morro dos Prazeres, Roberta Ferro Hipólito relembra os momentos de tensão vívidos na última quarta-feira. O casal, que morava em uma quitinete, foi surpreendido por traficantes que invadiram o imóvel durante uma ação policial. De acordo com a Polícia Militar, ambos foram feitos reféns, mas Roberta contesta: segundo ela, não houve sequestro, e os criminosos chegaram a prometer que se entregariam à polícia.

"Eles retiraram já atirando"

Colmeia:

Roberta conta que ela e Leandro dormiram quando quatro criminosos invadiram o local — a versão da polícia aponta seis suspeitos. Segundo a viúva, um dos bandidos segurou o cachorro da família para evitar que o animal latisse, e tranquilizou o casal, afirmando que não atirariam e que se entregariam assim que a polícia chegasse.

As armas dos criminosos foram colocadas perto da cama. O clima de tensão aumentou quando os policiais cercaram a quitinete. Roberta afirma que não houve negociação para a liberação do casal.

Alarme do crime:

— Quando ouvi (o policial falar) "pega a granada", imaginei: vai todo mundo morrer — relata Roberta, que esteve no Instituto Médico-Legal nesta quinta-feira para tentar libertar o corpo do marido.

Ela afirma que a porta foi derrubada com um explosivo e, logo em seguida, os policiais entraram atirando. Um dos disparos atingiu Leandro na nuca, causando-o à morte imediata.

Embate constante:

Outras cartas

Roberta também faz outras denúncias contra os policiais envolvidos. Segundo ela, um agente teria tentado induzi-la a mentir em depoimento, indicando que dissesse à Polícia Civil que um bandido havia sido atirado no marido. Ela afirma ainda que a liberação do corpo de Leandro está sendo dificultada pelo desaparecimento dos documentos do casal durante a operação.

— Não bastava ter levado a vida dele. Até os documentos encontrados — acusa Roberta.

A Polícia Militar foi procurada para comentar as acusações, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.