RJ em Foco
CPI do Crime Organizado convoca secretário de Paes após perseguição armada e mira máfia dos combustíveis
Relator quer depoimento de João Pires para detalhar atuação do crime organizado no setor de combustíveis
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira, a convocação do secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio, João Pires. A decisão ocorre dois dias após o secretário ser perseguido por homens armados na Região Metropolitana do Rio. O caso, ainda sob investigação, acontece no contexto da atuação de Pires contra irregularidades no setor de combustíveis, apontado pela comissão como uma das principais frentes do crime organizado e de movimentação de recursos ilícitos.
A convocação foi proposta pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que pretende utilizar o depoimento de Pires para detalhar como organizações criminosas atuam em atividades formais. Os membros da comissão acreditam que o secretário pode expor mecanismos de fraude, formação de cartéis e lavagem de dinheiro, além de relatar possíveis indicações e ameaças sofridas em sua função.
À frente do Procon Carioca, João Pires tem divulgado em suas redes sociais as fiscalizações realizadas em postos de combustíveis.
De acordo com relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, relatado por membros da CPI, o mercado ilegal de transações de combustíveis cifras bilionárias no país. O levantamento aponta que o crime organizado fatura mais de R$ 146 bilhões por ano com atividades ilícitas, sendo R$ 61,4 bilhões apenas com combustíveis — cerca de 41,8% do total.
O episódio ocorreu na RJ-106, em São Gonçalo, quando Pires relatou ter sido seguido por homens armados ao sair de um posto de gasolina. O prefeito Eduardo Paes afirmou que pode ter se tratado de um atentado relacionado ao combate à chamada “máfia dos combustíveis”. Já a Polícia Civil, até o momento, trata o caso como tentativa de roubo e segue com diligências para esclarecer as acusações.
O relator da CPI também acionou o Ministério da Justiça para solicitar medidas de proteção ao secretário, incluindo a possibilidade de escolta pelas forças federais e eventual inclusão em programas de proteção às autoridades, diante do risco à sua integridade.
Na mesma sessão, a CPI aprovou ainda a convocação da influenciada Martha Graeff, da ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, de operadores ligados a empresas sob investigação, como Prime Aviation e Fração 024, e do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques. Em contrapartida, os membros da comissão rejeitaram, na votação destacada, a convocação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, evidenciando divisões internas quanto ao alcance político da investigação.
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