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Traficante Índio do Lixão, ligado a TH Jóias, tinha espécie de batalhão de policiais para segurança e apoio logístico, aponta PF
Operação da Polícia Federal prendeu sete dos oito policiais investigados de integrar a equipe de Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão
Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho (CV), investigado por tráfico internacional de armas, contava com uma espécie de batalhão formado por policiais militares que atuavam em sua segurança pessoal e no apoio logístico da organização criminosa. A estrutura foi detalhada pela Polícia Federal na investigação da Operação Anomalia, que nesta quarta-feira chegou à terceira fase e resultou na prisão de sete PMs suspeitos de integrar o esquema.
A atuação do grupo aparece descrita em decisão judicial que embasou a operação. De acordo com a decisão, os agentes faziam desde escolta armada até transporte de dinheiro e intermediação de armas:
“As investigações revelaram que 'Índio’ contava com um núcleo estável de policiais militares que atuavam na sua segurança particular e como braço logístico”, diz um dos trechos do documento.
A PF aponta que os policiais realizavam deslocamentos junto ao traficante e atuavam como uma espécie de escolta privada, acompanhando compromissos pessoais e garantindo proteção armada. na relação dos policiais citados, o PM Rodrigo da Costa Oliveira é apontado como possível "liderança" do grupo militar. São investigados:
Rodrigo da Costa Oliveira (alcunha “Costa”) — apontado como líder do núcleo de PMs.
Flavio Cosme Menezes Pereira (“Menezes”)
Franklin Ormond de Andrade ( “Ormond Sal”)
Enio Claudio Amâncio Duarte
Alex Pereira do Nascimento
Leonardo Cavalcanti Marques
Ricardo Pereira da Silva
Rodrigo de Oliveira Carvalho (alcunha “Carvalho Sal”)
Veja os serviços que políciais prestavam a Índio:
Segurança pessoal do traficante
A decisão diz que o grupo atuava na “segurança particular” de Índio.
Flavio Cosme Menezes Pereira (“Menezes”) é o policial citado no tr cho que detalha o serviço: “Prestava segurança de forma reiterada e consciente, inclusive durante as férias, colocando-se à disposição para qualquer missão da organização criminosa”
Segurança diária e escoltas armadas em compromissos pessoais
Alguns policiais realizavam escoltas para proteger o traficante em deslocamentos, entre eles, Franklin Ormond de Andrade (“Ormond Sal”) e Ricardo Pereira da Silva
“Além de realizar escoltas constantes, negociou ilicitamente a venda de uma pistola Taurus e carregadores [...]Policial militar de extrema confiança de ‘Índio’, solicitado nominalmente para missões de escolta em Duque de Caxias".
A decisão cita eventos específicos em que o traficante recebeu proteção. Por exemplo, o policial Enio Claudio Amâncio Duarte "participava de escoltas armadas em eventos específicos, como enterros e consultas médicas do traficante, operando em áreas conflagradas sob domínio do Comando Vermelho.”
Alguns policiais aparecem como responsáveis pela proteção diária do traficante. Um dos citados é o PM Rodrigo de Oliveira Carvalho (“Carvalho Sal”) que, segundo documento, aAtuava na segurança diária de ‘Índio’.”
Venda ilegal de armas ao traficante
A decisão também descreve fornecimento de armamento. O policial Franklin Ormond de Andrade “negociou ilicitamente a venda de uma pistola Taurus e carregadores.” Já Rodrigo de Oliveira Carvalho “ofereceu a ‘Índio’ dois fuzis calibre 5.56.”
Venda de armas e transporte de dinheiro
Além da segurança,, os policiais também são suspeitos de atuar no fornecimento de armamento para a organização criminosa. A decisão relata que um dos policiais militares, Rodrigo de Oliveira Carvalho, conhecido com "Carvalho Sal" chegou a oferecer dois fuzis calibre 5.56 ao traficante, em negociação que teria ocorrido no âmbito das relações estabelecidas com o grupo.
Outro episódio descrito pela investigação envolve o transporte de dinheiro da facção criminosa. Segundo a PF, o mesmo policial militar foi responsável por carregar cerca de R$ 150 mil em espécie, valor ligado à estrutura financeira da organização.Para os investigadores, essas interações indicam que o grupo de agentes extrapolava o papel de proteção e atuava diretamente em atividades logísticas do tráfico.
PM pediu empréstimo a Índio
A investigação também indica que o grau de proximidade entre o traficante e os policiais era elevado. Em um dos episódios relatados, o policial Alex Pereira do Nascimento teria pedido um empréstimo de cerca de R$ 1,5 mil ao próprio traficante, o que, segundo a PF, reforça a relação de confiança entre os envolvidos.
Para a Polícia Federal, o grupo funcionava como um braço estruturado da organização criminosa, fornecendo proteção, logística e acesso a armamentos. Segundo a decisão que autorizou as medidas da operação, a investigação indica que o traficante “contava com um núcleo estável e coordenado de policiais militares que atuavam em sua segurança particular e no apoio logístico”.
A atuação desse grupo, de acordo com a PF, permitia ao traficante circular com proteção armada e manter atividades ligadas ao tráfico de armas e drogas com apoio interno nas forças de segurança.
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