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Na véspera de ser preso, vereador critica ligação de políticos com o Comando Vermelho: "Quem estiver errado, que pague"
Salvino Oliveira teria articulado benefícios à facção criminosa, segundo a Polícia Civil
Um dia antes de ser preso e de ter sua autorização para realizar campanha na comunidade da Gardênia Azul suspensa, o vereador Salvino Oliveira (PSD) fez um discurso na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Na ocasião, o parlamentar afirmou que "quem estiver errado, envolvido com escândalo, que pague", ironizando o envolvimento de figuras públicas com facções criminosas e mencionando escândalos relacionados ao INSS e ao Banco Master.
Ex-secretário:
Saiba quem é Salvino Oliveira,
— É muito engraçado os vereadores que me antecederam falando como se a prefeitura estivesse envolvida com o crime organizado, quando claramente, e é um fato objetivo, não era achar ou não achar, claramente foram presos os secretários e ex-secretários do Governo do Estado envolvidos com o Comando Vermelho, envolvidos com organizações criminosas — declarou Salvino no microfone da Câmara. O vídeo do discurso foi compartilhado em sua conta no Instagram com a legenda "Os fatos não mentem".
O vereador, que foi secretário da Juventude da cidade do Rio entre 2021 e 2024, destacou ainda que parlamentares estão "envolvidos até o pescoço" com facções criminosas.
— Sem contar os secretários e ex-secretários, nós temos também os deputados do PL, os deputados da extrema-direita, que estão envolvidos até o pescoço com essa situação. Pelo amor de Deus, foi um secretário do governador Cláudio Castro quem deixou o Abelha sair pela porta da frente do presídio, e a gente não vai esquecer isso aqui, não — afirmou Salvino, referindo-se ao ex-secretário estadual de Administração Penitenciária Raphael Montenegro, preso em 2021.
Na ocasião, as investigações indicaram que a cúpula da pasta estadual negociou acordos “em troca de influência sobre os locais de domínio destes traficantes e outras vantagens ilícitas”. Entre eles, a soltura irregular de Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, considerado “criminoso de altíssima periculosidade”, em julho de 2021.
Nesta quarta-feira, já detido e na chegada à Cidade da Polícia, Salvino Oliveira declarou que entrou "na política para mudar a vida das pessoas", mas que acabou "vítima de uma briga política" que não é sua, conforme afirmou à TV Globo. Questionado sobre a ligação com Edgard Alves Andrade (o Doca) e sobre sua responsabilidade na instalação de quiosques na Gardênia Azul, o parlamentar negou envolvimento.
De acordo com a Polícia Civil, Salvino teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações destinadas à população local. Um dos exemplos investigados envolve a instalação recente de quiosques na região, cuja seleção de beneficiários teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente.
Segundo a Polícia Civil, a suposta ligação de Salvino com Doca foi identificada durante investigação sobre tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais.
Em nota, o gabinete de Salvino Oliveira afirmou que, até o momento, não recebeu qualquer informação oficial sobre o ocorrido. "A assessoria jurídica já foi acionada e aguardamos esclarecimentos das autoridades competentes para compreender os fatos", diz o comunicado.
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