RJ em Foco
Caso Rodrigo Crespo: três são condenados a 30 anos de prisão pela morte do advogado
Ao final da leitura das sentenças, as defesas manifestaram que irão decorrer da decisão
Os três réus acusados do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo foram condenados, na noite desta sexta-feira. De acordo com o juiz Cariel Bezerra Patriota, ficou definido 30 anos de reclusão para cada um dos réus. Leandro Machado da Silva, Cezar Mondego de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes responderam por cinco qualificadoras. Ao final da leitura das sentenças, as defesas manifestaram que irão decorrer da decisão.
Estupro coletivo em Copacabana:
Sessenta minutos de violência:
"Os elementos dos autos sugerem traços de frieza e periculosidade, evidenciados pelo monitoramento da vítima e pela menção a atividades de "limpeza" (homicídios mercenários). (...) A execução sumária operou-se, portanto, como um nefasto instrumento de controle mercadológico e como uma inequívoca mensagem de terror irradiada a todo o setor empresarial", diz trecho da sentença.
De acordo com os promotores da Gaejuri, as informações recolhidas neste julgamento ajudarão no trabalho de outros casos. Além disso, a condenação de hoje foi um "grande golpe para organização criminosa" na qual eles fazem parte.
Apostas
Em depoimento, o delegado Rômulo Assis, que investigou o caso, afirmou que a vítima tinha interesse em abrir um 'sport bar' — uma casa de apostas — no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio. O espaço funcionaria dentro de um clube de poker já existente na área. Para isso, buscava uma parceria para consolidação do negócio.
De acordo com Rômulo Assis, a vítima estava realizando estudos, escrevendo artigos sobre bets e pouco tempo antes do assassinato, chegou a providenciar uma viagem para uma feira do segmento. Crespo já tinha um possível sócio, que seria o dono da casa de poker. Em trocas de mensagens com um amigo, ele falou que tinha um possível sócio que teria padrinho para área.
— O bom é que a gente não precisa falar com bicheiro nenhum. Ele tem o padrinho dele, e fala com ele diretamente — disse Crespo em uma mensagem exibida no julgamento.
O local escolhido para desenvolver o negócio fica na Zona Sul. Pouco tempo antes dos fatos, a região tinha sido palco de uma mudança de comando no jogo do bicho. A área que era de Bernardo Bello, passou para as mãos de Adilson Oliveira Coutinho, o Adilsinho, e posteriormente foi dividida entre a nova cúpula do jogo do bicho, afirma o delegado.
'Padrão Adilsinho'
Segundo a investigação, os veículos alugados pelo policial militar Leandro Machado eram usados em ações ligadas à organização criminosa do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.
— O modo de operar desse crime é muito semelhante ao padrão já identificado em ações atribuídas à organização criminosa liderada pelo Adilsinho. Há coincidências na forma de monitoramento da vítima, na divisão de tarefas entre os envolvidos e no uso de veículos alugados para dar suporte à execução e à fuga. Essas características se repetem em outros episódios ligados ao grupo — afirmou o delegado.
Rômulo Assis contou que carros locados pelo policial na empresa Horizonte já foram encontrados em outras situações envolvendo integrantes do grupo. Em um dos casos citados pelo delegado, uma pessoa foi abordada transportando cerca de R$ 100 mil dentro de uma caixa em um desses veículos.
Assis também descreveu o papel atribuído a cada um dos réus na ação. Segundo ele, Mondêgo ficou responsável por monitorar os passos do advogado. Eduardo Sobreira de Moraes teria dirigido o carro enquanto acompanhava a movimentação da vítima. Já Machado, de acordo com o delegado, foi quem alugou os veículos utilizados no crime.
— A partir das diligências e das provas reunidas, foi possível identificar a função de cada um na dinâmica do crime. Houve monitoramento da vítima, logística para disponibilizar os veículos e acompanhamento da movimentação até o momento da execução — disse.
O delegado afirmou ainda que Machado teria assumido dentro da organização criminosa a função de Rafael Nascimento Dutra, o “Sem Alma”, passando a exercer papel semelhante na estrutura ligada a Adilsinho.
Em nota, o advogado Ricardo Braga, que defende Adilsinho, nega qualquer envolvimento com os fatos e diz que a "Delegacia de Homicídios tem adotado padrão investigativo conhecido na literatura forense como tunnel vision (visão de túnel), desconsiderando elementos que não se ajustem à hipótese fixada de vincular os fatos ao nome de Adilson, sem demonstração objetiva e individualizada de vínculo probatório".
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