RJ em Foco

Bacellar exercia 'liderança do núcleo político' do Comando Vermelho, aponta relatório da PF

Documento da Polícia Federal detalha papel do deputado afastado na articulação entre facção criminosa e agentes públicos no Rio

Agência O Globo - 27/02/2026
Bacellar exercia 'liderança do núcleo político' do Comando Vermelho, aponta relatório da PF
Bacellar exercia 'liderança do núcleo político' do Comando Vermelho, aponta relatório da PF - Foto: Reprodução / Instagram

O relatório final da Polícia Federal revela que o deputado estadual Rodrigo Bacellar, afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), exercia 'a liderança do núcleo político' do Comando Vermelho (CV). O documento, com 188 páginas e assinado pelo delegado Guilhermo de Paula Catramby, afirma que o parlamentar era responsável por garantir a interlocução política necessária para proteger as ações da facção criminosa.

Segundo o relatório, antecipado pelo blog do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a capacidade de articulação é apontada como o principal ativo de Bacellar dentro da estrutura criminosa.

Rodrigo Bacellar foi preso em dezembro, durante comparecimento à Superintendência da Polícia Federal no Rio. A detenção ocorreu após mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, diante de indícios de que Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun ao então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias. TH foi preso em setembro no âmbito da mesma operação.

Posteriormente, deputados estaduais do Rio votaram pela revogação da prisão de Bacellar, que obteve liberdade provisória. No entanto, o parlamentar segue afastado da presidência da Alerj e cumpre medidas cautelares determinadas por Moraes, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno.

Na versão final do relatório, enviada ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a Polícia Federal ressalta que "um dos ingredientes nefastos dessa teia criminal do Rio de Janeiro é a interação dos grupos criminosos violentos com agentes públicos". O caso envolvendo Bacellar e TH é descrito como "o retrato perfeito da espoliação dos espaços públicos de poder pelas facções criminosas no Rio".

Em atualização