RJ em Foco
Desembargador preso buscou Temer para tentar contato com Moraes, aponta PF
Relatório da Operação Unha e Carne revela tentativa de Macário Judice de obter apoio do ex-presidente para frear apuração sobre vazamento à facção criminosa.
O desembargador Macário Judice, preso pela Polícia Federal (PF), desembolsou mais de R$ 3 mil em uma passagem aérea do Rio de Janeiro para São Paulo, em dezembro do ano passado, com o objetivo de encontrar o ex-presidente Michel Temer e tentar chegar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte.
De acordo com as investigações, o magistrado buscava uma aproximação com o ex-chefe do Executivo na esperança de que Temer pudesse interceder a seu favor para frear a investigação sobre o vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho.
Em diálogo interceptado pela PF, Macário relatou à esposa o encontro com Temer: “Foi boa a conversa, muito educado, muito boa”.
Segundo a Polícia Federal, o desembargador afirmou ainda: “Ele acha o seguinte, e ele tem razão, a gente chegou a redigir uma mensagem que ele ia mandar, mas ele disse: se você não tá no radar e não tem nada na cabeça dele que te ligue, você vai despertar isso pra quê? Ele é muito esperto né amor”, diz a mensagem, conforme consta no relatório.
Os detalhes foram incluídos no relatório final da Operação Unha e Carne, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal com o indiciamento do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias. Flávia, esposa de Macário, também foi indiciada.
Apesar dos indícios, a Polícia Federal não imputou crimes ao desembargador em razão de seu cargo e da vedação prevista na Lei Orgânica da Magistratura. Assim, os achados relativos ao magistrado foram enviados à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se apresenta denúncia ou não.
Bacellar, TH Jóias e Flávia foram indiciados por vazamento de informações à facção Comando Vermelho. Em dezembro, Bacellar, então presidente da Alerj, foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em nota, o advogado Daniel Bialski, defensor de Bacellar, afirmou que "inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas". A defesa classificou o indiciamento como "arbitrário e abusivo".
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