RJ em Foco
PF relaciona soltura de Bacellar com distribuição de cargos no governo do RJ a deputados estaduais
Ex-presidente da Alerj foi indiciado por vazar informações de investigações; defesa afirma que não há provas
Relatório da Polícia Federal que indiciou o Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), aponta relação entre a votação na Casa que livrou o deputado estadual afastado da prisão e a distribuição de cargos na máquina pública. Um documento apreendido no gabinete do parlamentar lista pedidos feitos pelos colegas de Legislativo.
A planilha, intitulada "PEDIDOS EM 12-04-23", foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, o documento funciona como um inventário detalhado do que cada deputado "possui" — cargos e espaços de comando já atribuídos — e os novos pleitos que cada parlamentar faria dentro da estrutura administrativa do governo estadual. Os pedidos estão organizados por nomes e demandas específicas por órgãos, cargos e poderes de influência em setores estratégicos.
"Sob administração de Rodrigo Bacellar a Alerj potencializou sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado, como por exemplo, a nomeação dos Secretários da Fazenda, Assistência Social, Educação, Polícia Militar e, certa vez, Polícia Civil", diz trecho do documento.
Em nota, o advogado Daniel Bialski, que defende Bacellar, afirmou que " inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas". A defesa acrescenta que o indiciamento é "arbitrário e abusivo".
A PF aponta que a distribuição de cargos e órgãos públicos estaria diretamente correlacionada com a fidelidade política dos deputados ao controle exercido por Bacellar na Alerj. O relatório destaca que 87,88% dos parlamentares cujos nomes constam na planilha votaram a favor da soltura de Bacellar em dezembro de 2025, quando ele foi preso pela PF em outra fase das investigações.
O documento ainda detalha pleitos específicos de parlamentares, como Arthur Monteiro, que teria solicitado controle do Poupa Tempo em Duque de Caxias, além de postos no Detran e Faetec; Carlinhos BNH, que, segundo a planilha, teria pedido o comando de unidades do Detran em Queimados e também posições na Fundação Leão XIII em diferentes municípios; Guilherme Delaroli, que requereu 15 cargos na Alerj e comando do Detran e Faetec em Itaboraí e Rio Bonito e Rodrigo Amorim: solicitou vagas no Detran da capital, OSP e Lei Seca, além de cargos para "compensar o Ceperj".
Na mesma operação, os agentes também apreenderam um caderno pessoal de Bacellar com anotações que a PF classifica como um "organograma de sua futura administração", com nomes, cargos e setores que o deputado planejava ocupar caso assumisse o governo do estado. O documento manuscrito indicaria uma intenção de controle administrativo sobre setores como Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) e Saúde.
Indiciamento
Bacellar e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, foram indiciadospor vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho. Outras três pessoas também foram indiciadas.
Segundo as investigações, TH Jóias utilizava o mandato na Assembleia Legislativa do Rio para favorecer o crime organizado. Ele é acusado de intermediar a compra e a venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado como traficante e também preso —, para um cargo parlamentar.
Em dezembro, a PF prendeu Bacellar, então presidente da Alerj, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele é suspeito de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão do ex-deputado estadual TH Jóias, em setembro.
De acordo com a PF, a ação ilegal causou obstrução na investigação realizada no âmbito da Operação Zargunq, que apontou relação de TH com a facção Comando Vermelho. O envolvimento do presidente da Alerj foi apontado pela PF após análise do material apreendido naquela operação. Trocas de mensagens entre Bacellar e TH Jóias são apresentadas como provas do possível vazamento.
Bacellar foi preso na sede da PF após ser chamado para uma reunião com o superintendente. Foram feitas ações de busca e apreensão em quatro endereços ligados ao deputado — em Botafogo, Campos dos Goytacazes e Teresópolis — e no seu gabinete na Alerj.
O ex-deputado preso TH Jóias também foi levado para a sede da PF. Ele passou cerca de 1h20 no local, mas decidiu ficar em silêncio e não responder aos questionamentos dos agentes.
Na petição da época, Moraes afirmou que a investigação da PF mostra que Bacellar é " primeiro contato da lista de comunicação urgente enviada pelo próprio “TH Jóias”, evidenciando a importância e a premente necessidade do investigado em se comunicar com o parlamentar" a quem chama de "01".
Na mensagem em que comunica ter mudado o número do telefone, Bacellar responde com uma figura indicando que " já tinha conhecimento de que haveria a troca”, como consta no documento do STF.
Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, mulher do desembargador Macário Júdice Neto e ex-assessora da Alerj; Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, ambos ligados a TH Jóias.
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