RJ em Foco
Tarifa do metrô sobe para R$ 8,20 a partir de abril; reajuste é homologado pela agência reguladora
Concessionária diz que aumento segue a variação do IPCA dos últimos 12 meses
A tarifa do metrô carioca, que já é a considerada a mais cara do país passará de R$ 7,90 para R$ 8,20 se distanciando ainda mais de capitais como São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. O novo valor entrará em vigor a partir de 12 de abril. A diferença de 30 centavos representa um reajuste de 3,8%. Enquanto isso, usuários do serviço se queixam de superlotação, principalmente nos horários de pico e problemas como a climatização dos vagões, sobretudo, nos dias mais quentes.
Segundo a concessionária MetroRio, o reajuste, que ainda será publicado no Diário Oficial, foi homologado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp). A concessionária explicou ainda que tarifa metroviária é reajustada anualmente com base na variação de 12 meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como previsto no contrato de concessão. A Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana (Setram) ainda não confirmou se vai manter a tarifa social de R$ 5, válida para usuários do cartão Riocard Mais habilitado com o BUI (Bilhete Único Intermunicipal.
O último aumento do metrô ocorreu em abril de 2025, quando a tarifa passou dos R$ 7,50 para R$ 7,90. Na época, o valor já era o mais alto do país. O novo reajuste deixa o valor cobrado pelo metrô do Rio ainda mais distante do que é praticado nas outras capitais brasileiras. O passageiro de Belo Horizonte, por exemplo, paga R$ 5,80, o de Brasília, R$ 5,50; o de São Paulo, R$ 5,40; o de Porto Alegre R$ 5; o de Recife, R$ 4,25; o de Salvador, R$ 4,10 e o de Fortaleza, R$ 3,60 (Linha Sul).
Para engenheiro Marcus Quintella, coordenador da FGV Transportes o que faz as passagens do metrô do Rio serem mais altas do que as de outras capitais é o modelo de concessão. Isso acontece, segundo o especialista, porque no Rio a tarifa do serviço metroviário não é subsidiada pelo poder concedente, como acontece em outras cidades, como São Paulo.
—É uma questão do modelo de concessão. As pessoas fazem esse alerde de que as tarifas do metrô e da SuperVia são as mais caras do Brasil. Sim e isso acontece porque elas não são subsidiadas pelo poder concedente. Agora que a SuperVia, com esse novo modelo (de concessão) vai remunerar o concessionário por quilômetro rodado e vai instituir a tarifa pública. Os outros metrôs todos são subsidiados — disse o especialista apontando os exemplos de Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e São Paulo — No metrô do Rio o que sustenta o serviço é a tarifa pública de remuneração, que é a mesma cobrada do usuário.
Quintella diz ainda que o reajuste pelo IPCA, embora contratual, acaba pressionando o orçamento dos usuários. Para mudar isso, na sua avaliação, seria necessária uma alteração no modelo de concessão.
—O reajuste pelo IPCA, nem sempre reflete os custos da operação, porque é o índice geral da economia como um todo. Não pega especificamente só os custos do metrô, que está sendo reajustado pela média da economia. Não está efetivamente vendo como custa a energia elétrica, as peças de manutenção e custo com pessoal. Reajustar um setor econômico por um índice geral pode dar distorção para mais ou para menos — avalia.
Queixas dos usuários
Enquanto isso, quem utiliza o serviço analisa o impacto do reajuste no orçamento, além de acumular queixas. A auxiliar de serviços gerais, Luciana Hilário, elogia a rapidez do transporte, mas reclama da superlotação nos horários de pico. Ela também tem criticas sobre os problemas com climatização dos vagões nos dias mais quentes.
— É um transporte rápido, isso ajuda muito porque o trânsito é complicado. Mas é sempre muito cheio, principalmente na volta para casa — reclama a moradora de Vila de Cava, em Nova Iguaçu, que trabalha em Botafogo, na Zona Sul do Rio — Às vezes eu pego vagão que o ar não funciona, fica aquele calor, principalmente quando vem pessoal da praia, fica cheio e abafado — acrescenta.
A estudante de contabilidade, Flávia Alves da Silva, de 32 anos, usuária da Linha 2 diz que o sistema cumpre somente parte do que promete. A passageira conta que se sente mais segura no metrô do que no trem, mas também se queixa da superlotação:
— Nos horários de pico é superlotado. A estrutura deveria ser um pouco maior, não sei se ter outra via, vir mais metrô. Acho que precisa melhorar essa parte — afirma.
A técnica de enfermagem, Joyce Barros, de 38, moradora em Deodoro, metrô em parte do trajeto até Copacabana, onde trabalha em regime de plantão. Para a passageira, os intervalos entre as composições poderia ser menor. Para ela, o tempo de espera nas plataformas ainda é elevado, o que impacta o fluxo de passageiros e contribui para a lotação dos vagões.
— Eu acho que tinha de ter intervalo menor entre uma composição e outra. Às vezes é um pouquinho complicado, porque isso interfere no fluxo e acaba demorando mais — diz.
Outros modais
Além da tarifa do metrô, os cariocas e fluminenses já haviam sentido o impacto de reajustes de outros modais. As passagens das vans intermunicipais, por exemplo, estão mais caras desde esta quarta-feira. O valor cobrado é 10% acima do que é praticado pela linha original em ônibus que o serviço substitui. As linhas de ônibus intermunicipais foram reajustadas no último dia 15. As que são contempladas pelo Bilhete Único Intermunicipal tiveram reajuste de 12,61%; para a linhas rodoviárias do interior o aumento foi de 11,69%; e das urbanas do interior de 9,93%.
Na capital, os passageiros de ônibus municipais, BRT, Vans e cabritinhos começaram o ano pagando mais caro pelas viagens. A tarifa desses modais também subiu R$ ,0, 30 passando de R$ 4,70 para R$ 5. Entretanto, o valor que o passageiro desembolsa não é o mesmo que as empresas recebem.
A tarifa de remuneração das concessionárias do sistema de ônibus, também reajustada, é de R$ 6,60. A diferença entre o que é pago pelo usuário e a chamada “tarifa de remuneração” — de R$ 1,60 por viagem — é coberta pelo município, através do chamado subsídio tarifário, previsto em acordos judiciais.
O aumento das barcas, que é definido pela Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana (Setram), ainda não está definido. Já os trens da SuperVia não terão reajuste este ano. A decisão do Conselho Diretor da Agência Reguladora de Transportes Públicos Concedidos do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) levou em conta a ausência de variação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no período de dezembro de 2024 a novembro de 2025. Com isso, os passageiros continuam pagando R$ 7,60 — valor sem Bilhete Único ativado no cartão Riocard — ou R$ 5, para quem tem o benefício.
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