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Até quando chove no Rio? Entenda por que fevereiro já superou a média histórica e quando a chuva deve dar trégua
Em menos de dez dias, a cidade já superou a média histórica de chuva prevista para todo o mês de fevereiro, enquanto diferentes regiões do estado entraram em alerta para risco hidrológico e de deslizamentos
Em menos de dez dias, a cidade já superou a média histórica de chuva prevista para todo o mês de fevereiro, o que aumenta a apreensão da população sobre quando a chuva vai dar trégua. Enquanto isso, diferentes regiões do estado entraram em alerta para risco hidrológico e de deslizamentos. Em meio à sequência de temporais, ocorrências graves foram registradas em diferentes pontos do estado. Em Angra dos Reis, na Costa Verde, três pessoas morreram após uma árvore cair sobre um carro na Rodovia Rio-Santos (BR-101), na noite de domingo. Uma quarta vítima ficou gravemente ferida, e a pista precisou ser interditada no trecho.
Homem e mulher sofreram descargas elétricas em poste em Copacabana durante temporal:
Tilápia, salmão e linguado:
Na capital, um prédio desabou no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros. Quatro pessoas foram resgatadas com vida, e as buscas continuam por dois cães sob os escombros.
Por que está chovendo tanto?
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o principal responsável por esse cenário é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), um sistema típico do verão que favorece a formação de nuvens carregadas por vários dias consecutivos.
— A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é o principal sistema responsável por chuvas persistentes e volumosas no Sudeste. Ela funciona como um 'corredor de umidade' que vem da Amazônia até o Rio. Quando a ZCAS se instala, a chuva não é apenas uma pancada de fim de tarde, mas sim um evento que pode durar vários dias seguidos, elevando rapidamente os acumulados. No Rio, esse fenômeno tem mantido a atmosfera instável, com chuvas quase diárias e acumulados elevados — explica Ramos.
Dados do Sistema Alerta Rio mostram que, entre os dias 1º e 6 de fevereiro, a cidade já havia registrado 103,2 milímetros de chuva, o equivalente a 87% da média histórica do mês, que é de 118,3 mm. Em menos de dez dias, esse volume foi ultrapassado: o acumulado já chega a 158,5 mm. Em pelo menos sete estações meteorológicas, os volumes já superaram a média mensal.
O contraste com fevereiro de 2025
O cenário atual contrasta diretamente com fevereiro de 2025, que entrou para a série histórica como o mais seco desde 1997. De acordo com o meterologista Guilherme Borges, a diferença entre um ano e outro está na configuração climática.
— No ano passado, tivemos um verão marcado por massas de ar muito quentes e ondas de calor, que inibiram a formação desses canais de umidade. Neste ano, a configuração atmosférica está mais favorável, com mais umidade disponível. O que estamos vendo agora é, na verdade, o comportamento típico do verão — explica o meteorologista.
Ou seja, 2025 foi a exceção. Fevereiro de 2026, apesar dos transtornos, está dentro do padrão esperado para a estação.
Por que a chuva já passou da média do mês?
Para Borges, o volume elevado em tão pouco tempo se explica pelo fato de a Zona de Convergência do Atlântico Sul ter permanecido praticamente estacionada sobre o Sudeste, mantendo o Rio sob influência contínua de um corredor de umidade. Esse padrão favorece a formação constante de nuvens de chuva, que se renovam ao longo dos dias e impedem a dissipação da instabilidade.
— Esse sistema faz com que as instabilidades fiquem praticamente estacionadas. As nuvens de chuva se alimentam continuamente, o que faz com que os acumulados médios sejam superados com muita facilidade — afirma Borges.
Quando a chuva dá trégua?
A previsão da Climatempo indica que as pancadas de chuva seguem até quarta-feira (11), com trovoadas e altos índices de umidade. A partir de quinta (12), a chuva perde força e o sol começa a aparecer com mais frequência. Segundo Guilherme Borges, a sexta-feira de carnaval (13) deve marcar uma virada no tempo.
— A sexta já deve ter um cenário sem previsão de chuva, com características mais típicas do verão carioca. O carnaval tende a ter tempo firme, apesar da possibilidade de pancadas isoladas, que são naturais nesta época do ano — explica Borges.
Entre os dias 13 e 18, a tendência é de sol, algumas nuvens e temperaturas próximas ou acima dos 30°C, para alívio dos foliões.
Apesar da melhora prevista, o meteorologista faz um último alerta
— Fevereiro é um mês naturalmente instável, e boa parte de março também. O Rio continua na rota das instabilidades, e esse tipo de sistema ainda deve aparecer outras vezes ao longo do verão — conclui.
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