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Morre Jorge Babu, ex-deputado e vereador que criou o feriado de São Jorge no Rio, aos 60 anos
Ex-policial civil e com base eleitoral na Zona Oeste, Babu foi vereador e deputado estadual; trajetória política terminou após condenações e decisões da Justiça Eleitoral
Autor das leis que criaram o feriado do Dia de São Jorge no município e no estado do Rio, o ex-vereador e ex-deputado estadual Jorge Luis Hauat, conhecido como Jorge Babu, morreu no domingo, aos 60 anos. Babu era ex-policial civil e com forte base eleitoral na Zona Oeste. A causa da morte não foi divulgada.
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Com a Grande Rio:
Ao longo da carreira política, Jorge Babu disputou diferentes cargos no Rio por partidos distintos. Em 2004, foi eleito vereador pelo PT, mandato que o projetou politicamente. Dois anos depois, em 2006, concorreu ao cargo de deputado estadual, também pelo PT, sendo eleito para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
O feriado de São Jorge virou estadual em 2008, quando o governador Sérgio Cabral sancionou a lei que o institui. O projeto de lei era de autoria do então deputado estadual, Jorge Babu (PT, que quando vereador, em 2001). Em 2010, tentou a reeleição como deputado estadual, desta vez pelo PTN, mas teve o registro de candidatura negado antes da eleição.
Anos depois, em 2024, tentou retornar à vida pública como candidato a vereador do Rio pelo União Brasil, mas não foi eleito. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o último recurso apresentado por Babu, com base na Lei da Ficha Limpa, encerrando definitivamente a tentativa de voltar a disputar cargos eletivos. Na ocasião, declarou à Justiça Eleitoral R$ 464.027,00 em bens.
Prisões, investigações e a interrupção da carreira política
A carreira política de Jorge Luis Hauat, conhecido como Jorge Babu, foi marcada por uma sequência de investigações, processos judiciais e condenações que acabaram interrompendo sua trajetória institucional. Ex-policial civil, Babu ingressou na vida pública em 2000, quando foi eleito vereador do Rio. À época, já era visto por parte da militância como um personagem fora do padrão tradicional do PT, legenda pela qual se elegeu e se reelegeu.
Em 2004, ano em que conquistou o segundo mandato na Câmara Municipal com 23.788 votos, quase o dobro da votação obtida na primeira eleição, Babu teve sua imagem política fortemente desgastada ao ser preso pela Polícia Federal durante uma operação que investigava a realização de rinhas de galo, prática considerada crime ambiental. Ele foi detido ao lado do publicitário Duda Mendonça, ex-marqueteiro do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O vereador permaneceu preso por poucos dias e foi liberado após o pagamento de fiança, passando a responder por crimes como maus-tratos contra animais, apologia ao crime e formação de quadrilha.
Apesar do episódio, Babu conseguiu se manter competitivo eleitoralmente e, em 2006, foi eleito deputado estadual, ocupando a última vaga do PT na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Nos bastidores, no entanto, já enfrentava isolamento político. Parlamentares da época relatavam que ele não participava das decisões da bancada.
Expulso do PT
Ainda em 2004, Babu chegou a enfrentar um processo de expulsão do PT, instaurado após sua prisão. O diretório municipal decidiu inicialmente pelo afastamento, mas a punição acabou reduzida a uma suspensão temporária de 45 dias. No mesmo período, a Corregedoria da Polícia Civil abriu sindicância para apurar a conduta do vereador, que acumulava o mandato eletivo com o cargo de policial civil.
Em 2005, o Ministério Público denunciou Babu à Justiça por formação de quadrilha e concussão, em um processo que investigava a atuação de servidores públicos cedidos à 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio entre 1997 e 2003. Segundo a denúncia, o grupo se aproveitava do livre trânsito na Vara para obter informações sobre fiscalizações do Juizado e negociar alvarás judiciais em troca de dinheiro, ingressos e cortesias em motéis. De acordo com o Ministério Público, Babu atuava como intermediário nas exigências feitas a empresários, principalmente organizadores de bailes funk.
O histórico judicial se agravou nos anos seguintes. Em 2008, ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por formação de quadrilha e extorsão, acusado de chefiar um grupo de milícia na Zona Oeste do Rio. No ano seguinte, em janeiro de 2009, o Partido dos Trabalhadores decidiu expulsá-lo da legenda, por unanimidade.
Em setembro de 2010, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) , praticados quando ainda integrava os quadros da Polícia Civil. No mesmo ano, ele foi demitido do cargo de inspetor de polícia, em decisão assinada pelo então secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.
Além das condenações criminais, Babu também respondeu a ações por improbidade administrativa. Em 2010, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ajuizou ação na qual apontou que, enquanto vereador, ele teria se apropriado indevidamente de R$ 4.960,63 devidos pela Câmara Municipal a um ex-assessor. Segundo a denúncia, o funcionário comissionado seria obrigado a repassar parte do salário ao parlamentar e teria sido exonerado após questionar a prática. O MP apontou ainda falsificação de assinaturas e desvio de recursos para a conta de uma empresa privada. Na ação, o órgão pediu a devolução integral do dinheiro, a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos por até dez anos.
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