RJ em Foco
Hebe, 'CPI das Beths', águia da Portela e mais: foliões chamam atenção com fantasias no Rio
Carnaval é oportunidade para se transformar
O carnaval é a oportunidade para se transformar: vestir as roupas de um ídolo, incorporar uma piada, experimentar o avesso. E os foliões não têm desperdiçado a chance. Gastando muito ou pouco, sozinhos ou em grupo, eles se dedicam, cada dia mais, nas fantasias.
Carnaval 2026:
Comemorando 30 anos:
A professora Joana Contino, de 45 anos, conta, desde 2020, com um grupo que combina o que vestir para curtir a folia. E a cada ano ele cresce. Em 2026, a CPI das Bets, que investiga o funcionamento de jogos de apostas online, é a inspiração para a CPI das "Beths". Bete Balanço, Betfoguense, Betty Boop, Calma Betty, calma, Lady Macbeth, Betty Faria, Água de chuva no mar, Betty dos Flinstones foram algumas das homenagens e trocadilhos montados por cada integrante.
— A gente sempre decide um tema para o coletivo. Cada uma confecciona a sua e quem pode se junta para fazer o standart — conta a professora.
O bloco escolhido para desfilar tamanha criatividade, logo pela manhã do domingo, é o Cordão do Boitatá. Em voo independente, no mesmo cortejo, Vinícius Ayres, de 39 anos, é a Águia da Portela:
— Sou portelense e inventei essa fantasia no ano passado. Encomendei a cabeça pela internet, a blusa é da loja da escola de samba, e comprei a asinha também. Tudo no carnaval é válido. Não é gasto, é investimento na melhor época do ano — opina o professor de História.
A advogada Thais Mattos, de 39 anos, convoca a família. E nem a pequena Maria Flor, de oito meses, ficou de fora da arrumação na sua estréia no carnaval de rua do Rio.
— O Boitatá é ótimo, pois a organização deixa pessoas com bebês ficarem dentro da corda. É super família, as músicas são lindas, a galera vem fantasiada. Então a gente sempre vem também. Meu marido está com meu filho, fora da corda, de Seu Madruga e Chaves. Eu sou a Chiquinha e a Flor é a dona Florinda.
Personagens da televisão são lembrados
Não só a ficção na televisão inspira os foliões. A stylist Paloma Borges, de 34 anos, já homenageia há alguns anos grandes personalidades que conheceu pelas telas. Neste ano, mesmo sem olhar é possível reconhecer o "gracinha" que ela solta pelas ruas.
— Já saí de Dercy Gonçalves e, desde o ano passado, estou saindo de Hebe. A peruca foi feita por um artista, igual ao cabelo que a Hebe usava. A roupa eu desenvolvi com uma estilista amiga, e o microfone foi feito pelo meu marido, que também é artista. A fantasia não ficou barata, mas foi um investimento — admite Paloma.
Assim como ela, que já repetiu a fantasia, outros foliões transformam personagens em tradição das suas folias. O que é, claro, dilui o investimento feito para festejar.
— Eu sou a 'Ana Maria do carnaval' há dez anos. A peruca é a mesma, o Louro José é o mesmo. Só faço pequenas adaptações de acordo com temas que quero seguir — diz a gerente comercial Bruna Botto, de 40 anos.
Interações tornam a folia mais legal
Um dos efeitos de se fantasiar com esmero é chamar atenção nas ruas. Há nove anos, o cenógrafo Odair Zani, de 58, sai de flamingo com amigos e conhecidos que vão se juntando. Nas ruas, recebe muitos pedidos de fotos.
— O rosa é muito bem-vindo, todo mundo gosta de flamingo e é fofinha. A cara do carnaval. Passo mais tempo tirando foto do que dançando. Eu e nossa flamingada. A gente trabalha e se diverte. Mas eu adoro — declara o idealizador do grupo: — Fui eu que fiz minha fantasia e depois fiz a da flamingada toda. Aproveito o que aprendo no trabalho e uso para diversão.
As fantasias grandes também rendem comentários de quem se preocupa com o perrengue do folião.
— Muita gente vem perguntar se não é muito quente. Glamour é mais importante, mas olha... é de telinha por baixo das penas. Então o vento passa — mostra Odair.
O engenheiro eletricista Vinícius de Bem abriu mão do conforto para se divertir como padre no bloco Fogo e Paixão, neste sábado.
— Meu amigo, Edson, se veste de padre há uns anos. Para mim, é a primeira vez. Está muito quente, mas a gente acostuma e vale a pena. Percebi que quando a gente está caracterizado é muito mais fácil interagir com as pessoas. Todo mundo fala, brinca. É interessante — revela.
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