RJ em Foco
Prêmio para melhores fantasias volta ao Estandarte de Ouro este ano
Outra mudança será nas categorias ala e ala de baianas: jurados vão focar mais na empolgação que no figurino
A 54ª edição do Estandarte de Ouro traz uma mudança com sabor de nostalgia. Após cinco décadas, o prêmio GLOBO/Extra aos melhores do carnaval terá novamente a categoria melhores fantasias — presente nos quatro primeiros anos —, que volta em 2026 para incentivar o talento dos criadores de mais de 300 figurinos de alas, destaques e composições de carros alegóricos que passam pelo Sambódromo no Grupo Especial.
— Ao fazer a seleção da melhor ala, ficávamos tão encantados com o conjunto visual que era difícil escolher uma só. Pensamos então que faz sentido um prêmio para as melhores fantasias — afirma o jornalista Marcelo de Mello, presidente do júri.
A mudança vai ter impacto em outras categorias. A escolha de melhor ala e ala das baianas passará a focar mais na empolgação do que na fantasia. A ideia é valorizar a animação espontânea, qualidade que muitas vezes as escolas de samba deixam de lado na ânsia de serem tecnicamente perfeitas. Diferentemente do júri da Liga Independente das Escolas de Samba, o Estandarte de Ouro não leva em conta falhas técnicas se considerar que elas foram irrelevantes, sem impacto na impressão geral do desfile.
Cristo mendigo
O caso mais emblemático da diferença entre o júri oficial e o prêmio GLOBO/Extra aos melhores do carnaval é a Beija-Flor em 1989, que maravilhou a Sapucaí com o Cristo Mendigo de Joãosinho Trinta, ganhou o Estandarte de Ouro de melhor escola, mas perdeu para a Imperatriz, que veio muito bonita, sem erros, mas nada surpreendente.
Outra mudança para 2026 é a estreia no júri da cantora e pianista Ifátókí. Formada em música pela UFRJ, 40 anos, mãe de duas filhas, ela vem de uma casa de bamba. Sua mãe é a ex-porta-bandeira e professora de educação física Rita Freitas, que passou por Salgueiro, Grande Rio e Império Serrano; seu pai é Martinho da Vila. Nascida Maíra Freitas Ferreira, ela adotou o novo nome depois de se iniciar no Ifá, religião africana.
— A minha formação em música me ajuda bastante. E a bateria, é claro, é o que mais me chama a atenção, me apaixona — diz Ifátókí.
Pelo segundo ano consecutivo, os 13 jurados selecionarão uma escola finalista ao término de cada uma das três noites do Grupo Especial. Na manhã da Quarta-feira de Cinzas, entre essas três, será escolhida a melhor escola do Grupo Especial de 2026. O resultado de cada uma das quatro votações será divulgado em primeira mão nos sites do GLOBO e do Extra, parceiros na realização do Estandarte de Ouro.
Assim como ocorreu no ano passado, O GLOBO e o Extra convidaram jornalistas e personalidades ligados ao carnaval para participar da escolha da vencedora, ao lado dos jurados oficiais. Esse grupo participará exclusivamente da votação da melhor escola, selecionando uma das três finalistas. O título ficará com a agremiação que obtiver a maioria simples dos 21 votos, somando os 13 jurados oficiais e os oito convidados.
Foram convidados os jornalistas da TV Globo Mariana Gross e Alex Escobar, que cobrem os desfiles; o diretor de Redação do Extra, Humberto Tziolas; a editora executiva do GLOBO Flávia Barbosa; o arquiteto e escritor Miguel Pinto Guimarães; Bruno Weikersheimer, roteirista do carnaval Globeleza de 2011 até 2023; o ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira e comentarista de futebol Junior; e a atriz e rainha de bateria Quitéria Chagas.
Autor do livro “Pra tudo se acabar na quarta-feira — Grandes criadores do carnaval”, lançado em fevereiro do ano passado, Miguel Pinto Guimarães frequenta a Sapucaí desde os 8 anos:
— Até hoje só deixei de ir em dois carnavais. Então, convite para ser jurado é muito honroso.
Outra convidada, Flávia Barbosa, não vê a hora de assistir aos desfiles:
— É uma tremenda alegria contribuir com esta instituição do carnaval que é o Estandarte de Ouro. Estou ansiosa para ver o que as escolas vão entregar de criativo neste ano de homenagens a figuras marcantes da vida brasileira.
Além de Ifátókí, compõem o júri em 2026 o jornalista, escritor e comentarista Aydano André Motta; o jornalista e crítico de música Bernardo Araujo; a pesquisadora e escritora Rachel Valença; a cantora e comunicadora Dorina; Juliana Barbosa, professora da Universidade Federal do Paraná; Bruno Chateaubriand, empresário e jornalista; Luís Filipe de Lima, violonista e pesquisador; Odilon Costa, percussionista; Angélica Ferrarez, historiadora, pesquisadora e professora; Felipe Ferreira, professor da Uerj e escritor; e Leonardo Bruno, jornalista e escritor, e Marcelo de Mello. Por participarem dos desfiles da Série Ouro, Bernardo Araujo, Leonardo Bruno e Rachel Valença votarão apenas nas categorias do Grupo Especial.
Duas perdas
O show continua em 2026 sem dois integrantes históricos do Estandarte, que morreram no ano passado e serão lembrados neste ano: a comentarista, professora e carnavalesca Maria Augusta e o ator, escritor e comentarista Haroldo Costa. Ela foi jurada de 1980 a 1987 e depois por 20 anos consecutivos, de 2005 a 2025. Ele fez parte do júri por 53 anos seguidos, estreando em 1973, ano seguinte à criação do prêmio.
O Estandarte premiará as escolas do Grupo Especial nas seguintes categorias: melhor escola, bateria, ala de passistas, samba-enredo, enredo, fantasias, comissão de frente, personalidade, ala, baianas, puxador, mestre-sala, porta-bandeira e destaque do público. Na Série Ouro, serão concedidos os prêmios de melhor escola e melhor samba-enredo. Já as categorias revelação e inovação, no Grupo Especial, e Fernando Pamplona (uso de material barato com bom efeito visual), na Série Ouro, são prêmios especiais, que podem ou não ser concedidos conforme avaliação do júri.
O prêmio Destaque do Público será definido por votação on-line dos leitores, a partir de uma pré-seleção feita por jornalistas do GLOBO e do Extra. Cada agremiação do Grupo Especial terá um item indicado, e a votação será aberta aos internautas.
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