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FGV apresenta projeto para terreno desapropriado do Grupo Sendas, que acusa fundação de 'grilagem'

Fundação divulga proposta para área alvo de decreto de desapropriação no Rio

Agência O Globo - 07/02/2026
FGV apresenta projeto para terreno desapropriado do Grupo Sendas, que acusa fundação de 'grilagem'
FGV apresenta projeto para terreno desapropriado do Grupo Sendas, que acusa fundação de 'grilagem' - Foto: Reprodução

A divulgação do estudo de implementação do Centro FGV Tecnologia e Futuro, previsto para ser construído em um terreno pertencente ao Grupo Sendas, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, provocou reação do proprietário do imóvel. Arthur Sendas Filho, presidente do grupo, criticou a postura da Fundação Getulio Vargas (FGV), comparando-a à “grilagem de terras”.

O terreno, que abrigava uma unidade da Rede Pão de Açúcar, foi alvo de um decreto de desapropriação em novembro do ano passado, expedido pela Prefeitura do Rio a pedido da FGV. Para Arthur Sendas Filho, a decisão é injustificável.

— Para nós, esse decreto é nulo. Não houve qualquer estudo prévio sobre o terreno, que nunca esteve abandonado, ao contrário do que afirmam. Estranhamos profundamente a postura da FGV, que está agindo como grileira, tentando tomar uma propriedade que não lhe pertence. Isso prejudica sua reputação — afirmou o empresário.

Projeto anunciado

Na última semana, a FGV tornou público o estudo para um centro de pesquisa dedicado à tecnologia. O projeto prevê seis pavimentos: no subsolo, áreas técnicas com infraestrutura para supercomputador; no térreo, galeria de arte com foco em inteligência artificial, café e biblioteca; os dois primeiros andares serão destinados à integração criativa, laboratórios e auditórios; o terceiro pavimento abrigará subcentros de análises específicas, laboratórios e espaços para estudos científicos e estatísticos de prevenção de doenças. Por fim, a cobertura será voltada a investigações e pesquisas.

O Grupo Sendas recorreu à Justiça para anular o decreto de desapropriação. Em 13 de janeiro, o Ministério Público abriu inquérito para apurar a legalidade do ato.

— Confiamos plenamente na Justiça. O processo está em andamento e temos convicção de que o decreto será revogado, pois consideramos um absurdo total. Não é democrático alguém desejar um terreno e pedir sua desapropriação. Lutaremos até o fim, inclusive em Brasília, se for necessário — concluiu Arthur Sendas.

O Grupo Sendas informou ainda que firmou contrato para que a Rede Mundial assuma o ponto comercial.