RJ em Foco
Filha acompanha retirada do corpo da mãe após desabamento no Maracanã
Michele Martins, de 40 anos, ficou soterrada sob os escombros de imóvel de quatro andares
O clima era de revolta e desespero entre familiares de Michele Martins, de 40 anos, enquanto aguardavam a retirada de seu corpo após o desabamento de um imóvel no Maracanã, Zona Norte do Rio, ocorrido na madrugada desta segunda-feira. Nove pessoas foram resgatadas com vida pelo Corpo de Bombeiros. Entre elas está Ágata Valentina, filha de Michele, de 7 anos, que foi encaminhada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Uma adolescente de 14 anos, que estava no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, já recebeu alta.
Comoção e tensão no local
— Ninguém vinha aqui antes, agora está todo mundo aqui. Vieram para ver minha mãe descer morta — desabafou uma das filhas de Michele, visivelmente abalada.
Os momentos até a chegada do rabecão foram marcados por forte tensão emocional. Parentes e amigos precisaram ser amparados, e bombeiros aferiram a pressão arterial de alguns familiares que passaram mal durante a espera.
Com os imóveis interditados pela Defesa Civil, a família permaneceu no local acompanhando o trabalho das equipes de resgate, sem saber para onde ir.
— Eu quero minha mãe, eu quero ver ela — clamou uma das filhas, enquanto o corpo era retirado dos escombros.
A retirada do corpo de Michele foi marcada por forte comoção, com as filhas chorando junto ao rabecão da Defesa Civil. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).
Operação de resgate e estrutura do imóvel
Segundo o tenente-coronel Fábio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, o imóvel que desabou era composto por duas casas geminadas, com quatro pavimentos. Mais de 50 militares e sete unidades operacionais atuaram na ocorrência, com o apoio de 12 viaturas, especialistas do Grupo de Operações Especiais (Goesp) e alunos do Curso de Operações de Salvamento em Desastres (Cosd).
Durante o resgate, Ágata Valentina conversou com os bombeiros, chorando muito e chamando pela mãe.
Casas interditadas e riscos na região
A Defesa Civil municipal informou que outros imóveis vizinhos precisaram ser interditados. O subsecretário municipal de Defesa Civil, Rodrigo Gonçalves, detalhou que quatro casas foram interditadas preventivamente devido ao risco provocado pela queda dos escombros.
— A Defesa Civil está desde o primeiro momento aqui, acompanhando o trabalho do Corpo de Bombeiros e das demais equipes da prefeitura. Pelas avaliações preliminares, vamos precisar interditar quatro imóveis no entorno, justamente por conta da queda dos escombros sobre essas edificações — explicou Gonçalves.
As famílias afetadas estão sendo assistidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social.
Sobre relatos de moradores que apontavam risco na área há anos, Gonçalves afirmou que a vistoria identificou problemas estruturais comuns na região.
— Constatamos muitos prédios sem embasamento técnico, sem engenheiro ou arquiteto responsável, além da falta de manutenção, o que agrava muito essas condições. Não temos histórico de vistoria específica nesse imóvel — completou.
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