RJ em Foco
Shopping Tijuca ainda tem cheiro forte de fumaça, funcionários de máscara e lojas vazias, quase um mês após incêndio
Fogo em loja no subsolo ocorreu na noite de 2 de janeiro e resultou na morte de duas pessoas
Quase um mês após o incêndio no subsolo que matou duas pessoas, a rotina no Shopping Tijuca ainda não voltou ao normal. O episódio deixou marcas que perduram até hoje no cotidiano de clientes e funcionários. Nesta sexta-feira, o primeiro e o segundo andares ainda tinham um forte odor de fumaça, misturado ao aroma dos difusores de canela instalados para tentar amenizar o cheiro, que leva alguns trabalhadores a usarem máscaras durante o expediente. Nos andares superiores, o cheiro é mais fraco, mas permanece, o que tem afastado parte do público.
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— Eu trabalho aqui perto e costumava almoçar no shopping pelo menos duas vezes por semana. Agora, evito vir, porque o cheiro me enjoa muito. Não tem condições de ficar mais de 30 minutos inalando esse odor — disse a professora de Educação Física Agatha Fernandes, de 33 anos, enquanto procurava um presente para o pai.
Há cerca de um mês, os corredores do shopping estavam cheios de clientes carregando sacolas em meio a lojas lotadas; às 20h da última quinta-feira, o cenário era bem diferente. O movimento estava visivelmente reduzido. O relato de um vendedor de uma loja de grife ajuda a dimensionar a queda: naquele dia, segundo ele, o faturamento foi de apenas R$ 200 — valor referente apenas à diferença de trocas realizadas por clientes.
As lojas situadas acima do ponto onde ocorreu o incêndio são as que mais têm enfrentado dificuldades para retomar o funcionamento. No primeiro piso, 14 estabelecimentos foram interditados pela Defesa Civil e seguem fechados. Outras lojas, tanto no mesmo andar quanto no segundo piso, foram reabertas há cerca de duas semanas, mas funcionários afirmam que os impactos do incidente ainda são sentidos durante o trabalho.
— É muito chato trabalhar dessa forma. Não gosto de usar máscara, mas não tem saída. Chego em casa com a roupa e o cabelo com cheiro forte. E não é só isso: o olho fica vermelho e arde bastante. Eles ainda colocaram um aromatizador que me dá enjoo — contou uma funcionária de uma loja no segundo piso, que preferiu não se identificar.
Interdição no subsolo e térreo
Questionada pelo GLOBO sobre as reclamações de funcionários e clientes acerca dos fortes odores e da diminuição do fluxo de pessoas, a administração do Shopping Tijuca afirmou que "vem mantendo diálogo permanente com os lojistas e informa que, com exceção das lojas em pontos ainda interditados, 89% das operações já estão funcionando normalmente". Segundo o shopping, "apenas 21 lojas ainda permanecem fechadas para limpeza, pequenos reparos e renovação do estoque, além de outras 8 que decidiram executar obras anteriormente planejadas".
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Sobre o cheiro de fumaça, a administração do Shopping Tijuca informa que "neste momento, durante os trabalhos de retirada dos materiais do subsolo para início das obras, cabe esclarecer que ainda é possível sentir algum odor. Todos os esforços possíveis estão sendo feitos para minimizar esse incômodo a clientes e lojistas". A nota também informa que "toda a estrutura do shopping está preservada, sem qualquer risco, conforme avaliação dos órgãos competentes".
A Defesa Civil destacou que a liberação total do empreendimento está condicionada à recuperação integral das áreas afetadas, à recomposição e ao funcionamento pleno dos sistemas de segurança contra incêndio e pânico, bem como à eliminação de todas as condições de risco identificadas.
Na mesma linha, o Corpo de Bombeiros informou que o subsolo e parte do pavimento térreo permanecerão interditados, e só poderão voltar a funcionar e receber público após a "completa execução dos reparos e das manutenções necessárias, tanto nos aspectos estruturais quanto nos sistemas de segurança contra incêndio e pânico".
Sobre as causas do incêndio, o Corpo de Bombeiros informou que só poderá fornecer conclusões após a conclusão dos trabalhos periciais em andamento. A corporação também comunicou que uma nova atualização oficial sobre o andamento das vistorias e eventuais resultados será divulgada até a próxima quarta-feira, 4 de fevereiro.
O incêndio
O fogo atingiu o Shopping Tijuca no início da noite de 2 de janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, os quartéis da Tijuca e de Vila Isabel foram acionados às 18h28 para combater as chamas, que teriam começado em uma loja de decoração. No início da madrugada, foi confirmada a morte de duas pessoas.
Anderson Aguiar do Prado, supervisor de brigadistas, chegou sem vida ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Emellyn Silva Aguiar Menezes foi retirada do local durante a madrugada, sem sinais de queimaduras; a principal hipótese é de que a morte tenha ocorrido por inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas.
*Estagiário sob supervisão de Leila Youssef
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