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Temperaturas amenas atrasam coloração das sapucaias na Quinta da Boa Vista

Folhas cor-de-rosa demoraram a surgir devido ao clima mais frio; alameda de árvores leva ao palácio do Museu Nacional

Agência O Globo - 11/11/2025
Temperaturas amenas atrasam coloração das sapucaias na Quinta da Boa Vista
- Foto: Depositphotos

O colorido das sapucaias, tradicionalmente visto no início da primavera, chegou com atraso este ano no Rio de Janeiro. As folhas cor-de-rosa, comuns entre setembro e outubro, começaram a aparecer apenas neste mês, transformando a paisagem de pontos como a Quinta da Boa Vista e o Jardim Botânico.

A demora na mudança de cor das sapucaias está relacionada às mudanças climáticas e, em especial, à influência do fenômeno La Niña, que resfria as águas do Oceano Pacífico e mantém as temperaturas mais amenas na cidade, mesmo a pouco mais de um mês do verão, que começa em 21 de dezembro.

Segundo o botânico Marcus Alberto Nadruz Coelho, coordenador das Coleções Vivas do Jardim Botânico do Rio, "as sapucaias costumam florescer quando as temperaturas passam de 28°C. Como as médias estão mais baixas, o nascimento de galhos e folhas foi retardado".

A alameda de sapucaias que leva ao palácio do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, é resultado de uma decisão de Dom Pedro II. O paisagista francês Auguste François-Marie Glaziou, contratado para reformar o espaço, havia sugerido um caminho sinuoso, mas o imperador preferiu uma alameda reta, margeada por sapucaias.

Residência dos imperadores do Brasil entre 1822 e 1889, o local recebeu ainda lagos, cascatas, grutas e rocalhas artificiais após a remodelação de Glaziou.

Com o nome científico de Lecythis pisonés, a sapucaia é encontrada tanto na Mata Atlântica quanto na Floresta Amazônica. Além das árvores da Quinta da Boa Vista e do Jardim Botânico, há pelo menos outras 40 unidades mapeadas em florestas do Rio.

De acordo com Marcus Coelho, uma sapucaia adulta pode atingir de 25 a 28 metros de altura e viver séculos: há registros de exemplares com até 800 anos. As do Jardim Botânico, por exemplo, foram plantadas há cerca de 200 anos. A árvore também se destaca pelos frutos, da mesma família das castanheiras brasileiras. Suas sementes, protegidas por uma casca dura semelhante a um jarro tampado, fazem parte da dieta de diversos macacos.